
Cuba vivencia crescimento do Evangelho apesar da perseguição do governo
13/04/2026
Foto: Reprodução
Por Victor Rodrigues, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Há exatos 120 anos, o avivamento da rua Azusa marcou de modo decisivo a história da Igreja Evangélica. Em 14 de abril de 1906, aquele movimento espiritual iniciado nas dependências da Missão Evangélica da Fé Apostólica (Apostolic Faith Gospel Mission) impulsionou o pentecostalismo moderno e expandiu sua influência em escala global.
No sobrado de madeira branca de número 312, situado na região central de Los Angeles, na Califórnia (EUA), milhares de pessoas eram atraídas pelo poder do Espírito Santo, que Se manifestava por meio de sinais e milagres. Naquele período, em que a sociedade norte-americana vivia sob forte segregação racial, com leis e costumes que impediam a convivência entre brancos e negros em diversos espaços públicos, tais acontecimentos ganharam um significado ainda mais amplo, já que reuniam pessoas de diferentes origens raciais em um mesmo ambiente de culto – todas dispostas a ouvir a mensagem de Cristo.

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Liderado pelo Pr. William Joseph Seymour (1870–1922), filho de ex-escravizados nos Estados Unidos, o movimento surgiu quando ele estava profundamente dedicado à oração e à busca por santidade. O ministro conduzia os cultos, e, durante as reuniões, que despertavam curiosidade e atraíam visitantes, ocorriam manifestações do Espírito Santo, consideradas incomuns para a época: intercessão coletiva, cânticos espontâneos e o falar em línguas (1 Co 12.10).
Com o passar do tempo, o avivamento de Azusa ultrapassou os limites de Los Angeles, espalhou-se por outras regiões estadunidenses e, posteriormente, alcançou outras nações por intermédio de missionários que contribuíram para a expansão pentecostal ao longo do século 20.
Para o Pr. Vinícius Medeiros, mestre e doutorando em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), aquele momento espiritual representa o ponto de convergência de diversas forças históricas que vinham se acumulando desde o século 19. Segundo ele, havia tensões ligadas ao fim da escravidão e ao racismo, ainda predominante, agravadas pela chegada maciça de imigrantes europeus.
Na visão de Medeiros, a sociedade estava sedenta da presença de Deus, e, assim, o Espírito Santo encontrou um solo fértil. “Negros e brancos adoravam de joelhos no mesmo chão, em um país onde isso era inimaginável. O resultado foi revolucionário, tanto historicamente quanto espiritualmente”, comenta, acrescentando que William Seymour é, sem dúvida, um dos personagens mais fascinantes de todo o cristianismo contemporâneo. “Se a historiografia tradicional privilegia os agentes socialmente reconhecidos, a trajetória de Seymour nos faz refletir sobre como o Todo-Poderoso chama os socialmente desprezados para cumprir Seus propósitos”, atesta.

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Sobre as manifestações espirituais, curas e maravilhas, o pregador chama a atenção para a influência teológica do evangelista norte-americano Charles Fox Parham (1873-1929) sobre Seymour. “Ele aprendeu Teologia e a doutrina do batismo com o Espírito por intermédio de Parham, embora ficasse sentado no corredor, do lado de fora da sala de aula, em razão do racismo explícito de seu próprio professor”, explica Vinícius Medeiros, acrescentando que, em um período marcado pelo racionalismo iluminista, o mover pentecostal permitiu que pobres, negros marginalizados e mulheres, indivíduos sem voz, experimentassem sinais visíveis da presença de Deus. “Precisamos celebrar os 120 anos de Azusa, que iniciou uma nova configuração do protestantismo nos Estados Unidos e no mundo”, sublinha o estudioso, lembrando que o Brasil recebeu essa chama e a fez crescer de modo singular. “Hoje, somos um dos maiores centros do pentecostalismo mundial.”

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Não por acaso, o Pr. César Moisés Carvalho, mestre em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), observa que o movimento de Azusa marcou o início de um trabalho missionário em solo brasileiro, em 18 de junho de 1911, que, três anos depois, viria a se tornar a Assembleia de Deus pelas mãos dos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren. “Eles estavam ligados aos ensinos do teólogo pentecostal estadunidense William Howard Durham (1873-1912), que, por sua vez, era influenciado pelo avivamento da rua Azusa”, lembra.
De acordo com César Carvalho, Durham teve papel decisivo na divulgação das notícias e do entusiasmo daquelas experiências espirituais a Berg e Vingren, contribuindo para que eles compreendessem o significado pentecostal como um revestimento de poder voltado à evangelização e à obra missionária. “Influenciados por esse forte impulso missionário, os dois chegaram ao Brasil com o propósito de propagar o Evangelho em sua plenitude, proclamando que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e voltará em breve”, explica, frisando que, para eles, a experiência espiritual do pentecostalismo tinha como objetivo principal capacitar a Igreja para cumprir a Grande Comissão (Mt 28.18-20).

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Legado marcante – O músico Davy Maia, pastor auxiliar na Igreja Renovada Internacional no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo (SP), destaca que o endereço onde começou o movimento da Azusa funcionava originalmente como um antigo galpão, o qual chegou a ser utilizado como estábulo, mas, com o início das reuniões de Seymour, o espaço foi transformado em local de culto. “Atualmente, ali existe uma grande praça, onde foi montada, em 2008, a estrutura para o Azusa Street Festival, que celebrou os 102 anos do movimento. Havia igrejas norte-americanas, latinas e brasileiras. Celebramos um memorial da obra poderosa do Espírito Santo na vida daqueles que puderam experimentar o peso da glória de Deus”, expõe Maia, acrescentando que o impacto histórico e espiritual daquele episódio está presente até hoje em cristãos de diferentes países, incluindo brasileiros, que creem nos dons e no poder do Espírito Santo.

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Por sua vez, o Pr. Renom de Azevedo, líder da Igreja Batista da Graça no bairro Morada de Laranjeiras, em Serra (ES), observa que “o avivamento da rua Azusa foi um marco histórico e mundial que influenciou não apenas o pentecostalismo, mas também inúmeras outras denominações”.
Para ele, aquele evento, que foi instrumento de salvação para incontáveis vidas ao redor do mundo, precisa ser lembrado como fonte de inspiração e de extração de ensinamentos. “Muitos elementos daquele mover comunicam com a tradição batista renovada, como a liberdade para a atuação dos dons espirituais, presentes nos cultos fervorosos e na busca por intimidade com Deus.”

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Para o Pr. Jean Reimão, líder estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Alagoas, o Espírito Santo continua conduzindo a Igreja da mesma forma que ocorreu durante o avivamento da rua Azusa há 120 anos. “As manifestações espirituais estavam ligadas à proclamação das Boas-Novas, e o seu legado para a IIGD está na compreensão de que o Evangelho deve ser pregado com poder, fé e sinais que acompanham a Palavra”, frisa ao ponderar que “a Igreja da Graça herdou do movimento o compromisso de anunciar um Cristo vivo, que salva, liberta, cura e transforma vidas pelo poder do Espírito Santo”.

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Por sua vez, o Pr. Elder Cavalcante, líder estadual da IIGD no Ceará, ressalta a centralidade da oração naquele movimento, prática que continua fundamental para a Igreja contemporânea. “As manifestações de fé registradas em Azusa, como curas, palavras proféticas e o batismo com o Espírito Santo, dialogam diretamente com as igrejas pentecostais por terem fundamento na Palavra de Deus”, opina ele, concluindo que os sinais observados hoje “refletem o agir do Espírito Santo, descrito nas Escrituras, que pode ocorrer em qualquer lugar no qual o Evangelho é anunciado”, assim como aconteceu durante o mover que uniu diferentes povos há mais de um século, desejosos da presença do Senhor.


