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Foto: Ferenc Szelepcsenyi / Adobe Stock
Abraão de Almeida

Estamos limitando Deus?

A Igreja nasceu completa no Pentecostes: havia muitas conversões genuínas, milagres extraordinários, batismo no Espírito Santo, manifestação de dons espirituais, dons ministeriais e realizações de Deus. Mas, com o passar do tempo, começaram a surgir novas doutrinas, como a da regeneração batismal, do batismo infantil, da transubstanciação e da consubstanciação, só para citar algumas. E a igreja, que antes se reunia nas casas dos crentes, passou a construir templos.

O reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546)
Foto: Michael v Aichberger / Adobe Stock

As transformações foram tantas ao longo dos séculos que se fez necessário um movimento iniciado em 1517 pelo ex-monge católico alemão Martinho Lutero (1483-1546): mais tarde chamado de Reforma Protestante. Esta, apesar de grandiosa, não foi completa. Embora restaurasse o sacerdócio universal dos crentes e defendesse os cinco princípios da fé cristã – Sola fide (somente a fé), Sola Scriptura (somente a Escritura), Solus Christus (somente Cristo), Sola gratia (somente a graça) e Soli Deo gloria (glória somente a Deus) –, os reformadores não deram o devido valor à doutrina do Espírito Santo, que continuou enfraquecida.

Na Alemanha, por exemplo, a Reforma não restaurou o memorial da Ceia do Senhor nem a doutrina do batismo bíblico, esta última defendida pelos anabatistas, contemporâneos dos reformadores. Felizmente, em meados do século 18, a doutrina da santidade foi restaurada pelos metodistas sob a liderança do teólogo britânico John Wesley (1703-1791), o qual afirmava que a conversão nos tira do mundo, mas só a santificação tira o mundo de dentro de nós. No fim do século 19 e início do 20, os avivamentos no País de Gales e na rua Azuza, na cidade de Los Angeles (EUA), respectivamente, restauraram a doutrina do Espírito Santo. A partir daí, os cristãos avivados (ou pentecostais) deram início a uma nova fase da evangelização mundial.

Plenitude de Cristo – Porém, desde então, muitos crentes ainda supõem, equivocadamente, que o ápice da fé cristã é ter a plenitude do Espírito. No entanto, a Bíblia ensina que, além de nos enchermos do Espírito, precisamos buscar e receber a plenitude de Cristo, para, finalmente, alcançarmos a do Deus Pai, que é o Espírito Santo, Jesus e o Pai morando em nós!

Em João 14.17, Jesus fala da Trindade em nós: O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós.

Destaco aqui o tempo futuro do verbo estar estará – usado por Jesus acerca do Espírito Santo em relação aos discípulos. Depois de afirmar que o mundo não pode receber o Espírito porque não o vê, nem o conhece, nosso Senhor diz que o Espírito habita com os discípulos. Note, entretanto, caro leitor, que o Altíssimo deixa claro que o Espírito Santo ainda não estava neles (nos discípulos) pelo fato de o Consolador ainda não ter vindo, o que só ocorreria algumas semanas depois, no dia de Pentecostes. É somente a partir daquela data que o Espírito estaria nos discípulos, e não antes, com uma importantíssima exceção: João Batista.

John Wesley (1703-1791)
Foto: Arte de ChatGPT em imagem de Georgios Kollidas/ Adobe Stock

O que teria acontecido ao precursor do Messias, que fez dele o maior entre todos os nascidos de mulher? A resposta está em Lucas 1.15: Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. João teve uma vida singular ao ser cheio do Espírito Santo mais de três décadas antes da dispensação da graça, do nascimento da Igreja! Contrastando a vida exemplar de João com os grandes privilégios do menor dos crentes na Nova Aliança, Jesus diz que quem está nEle é maior do que João Batista.

Hinologia pobre – Tendo em mente a importância e o alcance do Pentecoste e da ação do Espírito Santo, creio que limitamos Deus naquilo que cantamos. Eis um exemplo: Ele habita, Ele habita;/ Aleluia, Ele habita comigo!/ Estou me alegrando noite e dia/ Enquanto sigo pelo caminho estreito,/ Pois o Consolador está comigo. O texto é do estribilho do hino He abides (Ele habita) produzido originalmente em inglês, no início do século 20, pelo compositor metodista norte-americano Herbert Emery Buffum (1879-1939). Ora, à luz da Bíblia, o Espírito Santo habita não comigo, mas em mim. Conforme registra João 14.17, o Consolador habitava com os discípulos antes do Pentecoste, mas, a partir da Sua vinda para ficar, conforme Atos 2, Ele passou a fazer morada nos discípulos. Se o mundo não pode receber nem ver o Espírito, então um descrente não O conhece nem O tem com ele. Porém, se, de alguma maneira, esse descrente é tocado pela mensagem do Evangelho, onde está o Espírito Santo?

Nesse caso, o Espírito está junto desse descrente, tentando convencê-lo do pecado, da justiça, do juízo e da necessidade de arrepender-se. Somente a partir da sincera confissão de pecados desse arrependido, e da sua genuína conversão, o Consolador adentra o espírito dele e o batiza no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Desde então, o Espírito passa a estar nele, dentro dele; não mais apenas com Ele, junto dEle.

Herbert Emery Buffum (1879-1939)
Foto: Arte de ChatGPT sobre imagem de reprodução de Find A Grave

No Brasil, temos tido semelhantes problemas com algumas composições. Lembro-me de um hino muito popular intitulado Vem, visita a Tua Igreja, que, posteriormente, teve o título modificado, passando a ser Santifica a Tua Igreja, a fim de corrigir esse erro teológico. Isso porque o Espírito Santo não é visitante, e sim residente. Pelo fato de Ele habitar em nós, exerce a Sua paixão no sentido de assumir o controle total da nossa vida, o que vem a ser a Sua plenitude em nós (Jo 14.20, 23; Ef 4.13).

A plenitude de Deus, portanto, é a Trindade Santa habitando em nós, mas com um detalhe importante: na Sua plenitude, o Pai celestial é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, poderoso para fazer tudo muito mais abundante­mente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera (Ef 3.20).

Abraão de Almeida
Pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. E-mail: abraaodealmeida7@gmail.com

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