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Jovens brasileiros compartilham suas experiências depregação da Palavra e de serviço cristão

Foto:Lydia / Adobe Stock

Por Flávia Fernandes

O chamado para anunciar o Evangelho às nações é apresentado a todas as gerações, lembram estudiosos da Palavra. Desde os profetas até os discípulos de Jesus, a Bíblia registra homens e mulheres que responderam ao convite de Deus colocando a própria vida à disposição dos propósitos do Senhor. Ao enviar os discípulos, Cristo deixou uma orientação que atravessa os séculos: Ide,portanto, fazei discípulos de todas as nações (Mt 28.19 – ARA). Em nosso tempo, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países considerados potências em missões, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Coreia do Sul. A informação é do relatório Status da Grande Comissão, do Movimento de Lausanne, uma rede cristã mundial que conecta líderes evangélicos, fundada em 1974, na Suíça, durante um congresso organizado pelo evangelista norte-americano Billy Graham.

De acordo com especialistas em Missiologia [o estudo científico, histórico e teológico da atividade missionária da Igreja Cristã], a juventude ocupa um papel extremamente importante na continuidade da missão evangélica. Isso porque o primeiro envio ao campo missionário ocorre, geralmente, em torno dos 30 anos, conforme indica a última pesquisa Força Missionária Brasileira, realizada pela Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB). O levantamento aponta também que, embora a idade média dos missionários hoje seja de 44 anos, há sinais claros de uma renovação desse contingente nesta década, especialmente na faixa etária de 20 a 30 anos. É o caso de Ellen Grazielly Barbosa Neves, 20 anos, que realiza seu treinamento para o campo missionário na sede da Missão Horizontes América Latina, em Monte Verde, distrito de Camanducaia (MG). A jovem faz parte do projeto Impacto Europa, iniciativa que visa evangelizar comunidades imigrantes em território europeu, especialmente aquelas originárias da Janela 10-40 [área que se estende do oeste da África até o leste da Ásia, passando pelo Oriente Médio].

Ellen Grazielly Barbosa Neves declara: “Decidi me entregar integralmente ao plano divino”
Foto: Arquivo pessoal

Ellen relata que seu chamado para a obra missionária começou ainda na infância. “Desde os 11 anos, tenho ouvido que o Senhor me usaria muito. Aos 14, Ele começou a falar ao meu coração que me enviaria para as nações”, recorda-se a membro da Congregação Patmos – Assembleia de Deus no Centro de Imperatriz (MA). Ela revela que, inicialmente, não desejava seguir esse ministério porque tinha uma visão equivocada sobre missões. “Entretanto, o Todo-Poderoso foi mudando minha forma de pensar, e entendi Seu propósito para a minha vida”, explica, acrescentando que teve certeza de seu chamado durante um culto, ao ouvir o testemunho de um missionário. Naquele momento, diz a jovem, houve uma mudança interior. “Decidi me entregar integralmente ao plano divino”, declara, citando ter seguido aquilo que o profeta Isaías registra nas Escrituras: Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim (Is 6.8).

Ao ser indagada a respeito do papel da Igreja na busca de futuros missionários, Ellen avaliou que cabe às lideranças evangélicas estar atentas e reconhecer que as novas gerações são fundamentais na continuidade da missão cristã no tempo presente. “Minha geração não está perdida. O Altíssimo continua despertando moços e moças dispostos a transformar vidas por meio da resposta deles à convocação de Cristo”, afirma, fazendo menção à orientação do apóstolo Paulo a Timóteo: Ninguém despreze a tua mocidade (1 Tm 4.12). “Aceitar o convite do Senhor não depende da faixa etária, mas de colocar a própria vida à disposição dos planos de Deus”, enfatiza a jovem, lembrando que as redes sociais podem ser um espaço para evangelizar pessoas e mobilizá-las em torno da urgência da pregação do Evangelho.

A missionária Lays Moreira da Silva opina: “O Todo-Poderoso tem levantado uma nova geração que deseja anunciar a verdade de Cristo de maneiras diferentes para impactar todas as esferas da sociedade”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Com a mesma convicção de Ellen Grazielly, a missionária Lays Moreira da Silva, 24 anos, acredita que a juventude precisa de ambientes que incentivem a reflexão sobre as metas pessoais, além da vivência em missões. Embora considere o número de jovens envolvidos na obra missional ainda pequeno diante da necessidade, ela enxerga sinais de mudança. “O Todo-Poderoso tem levantado uma nova geração que deseja anunciar a verdade de Cristo de maneiras diferentes para impactar todas as esferas da sociedade”, opina, complementando que o Brasil continua sendo um celeiro nesse campo. “Entretanto, podemos crescer muito mais e avançar bastante no envio de missionários”, frisa Lays, membro da Igreja Apostólica Sacerdotes do Reino, em Pirituba, São Paulo (SP). Formada em Gestão em Logística e Marketing Digital e integrante da Missão Horizontes América Latina, ela compartilha que o interesse por missões surgiu ainda na infância. “Sempre fui apaixonada por idiomas, lugares e histórias. Minha mãe dizia que eu iria pelas nações, então, esse fervor sempre ardeu no meu coração”, atesta. No entanto, o chamado ganhou força quando Lays começou a questionar o sentido da própria existência. “Eu via meus amigos conquistando faculdade, trabalho e casamento, e perguntava ao Criador se a vida era só isso. Então, quando menos imaginei, estava embarcando para Imperatriz (MA) para colocar a mão no arado”, assinala.

O Pr. Pedro da Paixão Silva Sousa anseia: “Espero que ocorra um avivamento espiritual movido pela juventude em nossa nação”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Missão evangelística –Na Ilha do Marajó, no estado do Pará, o Pr. Pedro da Paixão Silva Sousa, 29 anos, atua como missionário em tempo integral pela Junta de Missões Nacionais (JMN), da Convenção Batista Brasileira (CBB), desde 2019. Líder da Igreja Batista em Curralinho (PA), no bairro Cafezal, ele considera que a motivação central para quem decide servir como missionário continua sendo a mesma de outras épocas: “O amor a Deus, às pessoas, além do desejo pela salvação delas.”

Sousa lembra que a trajetória missionária exige mais do que o entusiasmo inicial. “Significa abrir mão de confortos, da convivência constante com amigos e familiares e enfrentar desafios por amor a um povo que você aprende a amar”, frisa, acrescentando que esse trabalho exige renúncia, perseverança e dedicação, tal como Jesus ensinou a Seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me (Mt 16.24). Ele recorda já ter enfrentado, ao longo dessa caminhada, muitas situações extremas, como tempestades e riscos de afogamento.

Cursando pós-graduação em Arte da Pregação Expositiva, o ministro batista conta que esses sete anos no campo missionário foram suficientes para constatar que há, de fato, um crescimento gradual da participação juvenil nesse ministério. Contudo, diz que tem orado para que esse movimento do Espírito Santo se alastre. “Espero que ocorra um avivamento espiritual movido pela juventude em nossa nação”, anseia ele.

Millena Ribeiro Rocha Nascimento declara: “A juventude brasileira tem demonstrado crescente consciência de sua responsabilidade espiritual e do seu papel no Reino, e está mais disposta a servir ao próximo”
Foto: Arquivo pessoal

No vizinho estado do Amazonas, na região Norte, cada vez mais jovens estão sentindo o chamado para envolver-se com missões. Essa é, por exemplo, a história de Millena Ribeiro Rocha Nascimento, 26 anos, membro da Igreja Batista Base, no bairro Flores, em Manaus. Formada em Teologia pelo Seminário Batista do Sul do Brasil e estudante de Comunicação e Marketing, ela faz parte, desde novembro de 2017, do Projeto Amazônia, desenvolvido pela JMN.

E, em quase dez anos de trajetória missionária, Millena coleciona experiências e muitas histórias. Ela destaca o tempo em que pregou o Evangelho para uma mulher, até que esta se entregasse a Cristo. “É um privilégio vê-la servindo também no campo missionário”, informa Millena, a qual conta que seu chamado se deu durante uma viagem a bordo do barco O Missionário, embarcação da JMN que une atendimento médico e odontológico e ação evangelística para transformar vidas em comunidades ribeirinhas do Amazonas. “Ao conhecer os missionários que atuavam naquelas localidades, vi neles uma alegria genuína por viver o propósito do Senhor”, lembra-se.

Ela avalia que, para muitos jovens, a missão evangelística é um caminho para descobrir um propósito maior, à medida que compreendem que viver segundo os planos do Pai é encontrar o melhor direcionamento para a vida. “A juventude brasileira tem demonstrado crescente consciência de sua responsabilidade espiritual e do seu papel no Reino, e está mais disposta a servir ao próximo”, declara Millena, reforçando a ideia de que as plataformas digitais têm sido utilizadas como propagadoras da mensagem do Evangelho e, ao mesmo tempo, ferramentas de engajamento missionário.

Kauan Costa Silva entende que a busca por propósito tem levado rapazes e moças da nova geração a desejar impactar vidas e transformar histórias por meio do serviço cristão, da proclamação da Palavra e do uso das redes sociais
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Em São Paulo, Kauan Costa Silva, 21 anos, encontrou, no trabalho de missões, uma forma de colocar em prática o desejo de servir a Deus. Auxiliar administrativo e estudante de Ciências Aeronáuticas, ele atua na Agência Missionária de Mobilização Evangelística – mais conhecida como Missão AMME Evangelizar – e no Dunamis Movement, movimento voltado ao avivamento espiritual, à formação de líderes e à transformação da sociedade a partir dos valores cristãos.

Ele conta que seu interesse pelo trabalho missionário começou durante a participação em um curso de formação de liderança cristã voltado para jovens de 14 a 24 anos. “Foi quando comecei a perceber a finalidade de evangelizar e servir e passei a desejar viver algo maior para o Senhor”, relata Kauan, membro da Igreja Castelo Forte, no bairro Jardim do Castelo, na cidade de Ferraz de Vasconcelos, localizada na região do Alto Tietê, na Grande São Paulo. Segundo o estudante, a busca por propósito tem levado rapazes e moças da nova geração a desejar impactar vidas e transformar histórias por meio do serviço cristão, da proclamação da Palavra e do uso das redes sociais. “Estas se tornam uma poderosa ferramenta para evangelizar, inspirar e mobilizar jovens”, afirma ele, ressaltando que, além de ampliar o alcance das missões, o ambiente digital ajuda a disseminar experiências e testemunhos que podem despertar novos vocacionados. “Precisamos usar esses meios para evidenciar o que Jesus tem feito em nossa vida e, ao mesmo tempo, despertar o coração das novas gerações para os campos da seara”, conclui.


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