
Diarista reencontra a fé em Jesus e vence o câncer de mama após ler Como tomar posse da bênção, de R. R. Soares
20/09/2026
Foto: Maryia – Gerada por IA / Adobe Stock
Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Para muitos adolescentes, a dúvida escolar deixou de ser resolvida apenas com livros, professores ou pesquisas realizadas em sites de busca na internet. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, a sigla em inglês) de 2025 – divulgados em setembro deste ano pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – revelam que 48% dos alunos brasileiros de 15 anos de idade usam chatbots de inteligência artificial (IA) ao menos uma vez por semana para estudar.

Foto: Arquivo pessoal
Esse avanço no uso da IA tem gerado desconforto até dentro da própria indústria que cria essas ferramentas. Recentemente, o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que as empresas de inteligência artificial moderem o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos de machine learning (aprendizado de máquina), depois que um relatório da instituição expôs usos indevidos do Claude, o chatbot da Anthropic.
De acordo com o empresário Marlom Andrade, diretor-executivo da Tutory, uma plataforma brasileira de tecnologia educacional, existe uma distinção entre usar a IA como auxílio e deixar que ela faça todo o trabalho por você. “Utilizar a inteligência artificial como apoio significa solicitar uma explicação diferente daquela oferecida pelo professor. Delegar a tarefa, por outro lado, quer dizer copiar a resposta sem passar pelo raciocínio necessário”, analisa.

Foto: Arquivo pessoal
Por sua vez, Stefano Levorato, cofundador da Sociedade Brasileira de Inovação, acredita que a solução passa por ensinar os estudantes a desconfiarem das respostas que recebem. “Precisamos acrescentar uma nova camada à alfabetização tradicional: a alfabetização em inteligência artificial. Ela começa pela capacidade de formular boas perguntas, mas vai muito além disso”, explica ele, acrescentando que, na prática, significa ensiná-los a exercitar o senso crítico. “O estudante precisa aprender a verificar informações em fontes independentes, identificar quem produziu determinado conteúdo, diferenciar fatos de interpretações e compreender que uma IA não deve ser tratada como autoridade final.”

Foto: Arquivo pessoal
Para a mestranda em Novas Tecnologias Educacionais Raphaella Marques Amorin, o que os estudantes estão fazendo é sintoma de um problema mais antigo. “O uso maciço de inteligência artificial pelos estudantes revela a busca por atalhos. Essa dependência compromete diretamente a interpretação, a escrita autoral e a capacidade de argumentação crítica dos adolescentes”, afirma, deixando claro, entretanto, que não se deve demonizar a tecnologia nem optar por cerceamentos. “Mais do que proibir ou criar regras punitivas, o papel da escola e da família é mediar essa relação, ensinando os alunos a analisar informações e adaptar as perguntas feitas em sala de aula para o desenvolvimento de habilidades”, conclui.


