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O juízo das sete taças (Parte 1)

O juízo das sete taças: derramamento da primeira taça (Apocalipse 16.1,2)
Foto: Arte de Gemini AI
Abraão de Almeida

O juízo das sete taças (Parte 1)

Neste artigo, caro leitor, começamos a falar do juízo das sete taças. O término desse ciclo marcará a consumação da obra de purificação da Terra e inaugurará a era áurea, o Milênio.

A PRIMEIRA TAÇA – E ouvi, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus. E foi o primeiro e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem (Ap 16.1,2). Ao falar de sete anjos com as sete taças, o texto bíblico revela que haverá um período de julgamento completo. A partir de então, os adoradores da besta e de sua imagem terão de beber do cálice da cólera de Deus. A primeira praga das taças provocará um tremendo surto de úlceras entre os homens, talvez de fundo canceroso. Essa será a repetição, em escala maior, da praga das úlceras, a sexta ocorrida no Egito (Êx 9.8-10).

A SEGUNDA TAÇA – E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente (Ap 16.3). A segunda praga também se assemelhará às derramadas sobre o Egito, quando todas as águas do rio Nilo se tornaram sangue (Êx 7.20,21). Aqui, entretanto, o próprio mar será atingido. Quando dos juízos das trombetas, somente a terça parte se transformará em sangue e somente a terça parte da vida marinha perecerá. Porém, nesse caso, os efeitos serão muito mais vastos, pois morrerão todos os seres viventes que estiverem no mar. Este se tornará como o sangue de um morto, imundo e coagulado, impossibilitando a presença de vida. No entanto, alguns autores acreditam que essa descrição é simbólica, referindo-se ao envenenamento do sangue da vida das nações, como se a questão fosse moral e espiritual, e não literal.

Terceira taça
Foto: Arte de Gemini AI

A TERCEIRA TAÇA – E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue. E ouvi o anjo das águas que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas. Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste sangue a beber; porque disto são merecedores. E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor, Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos (Ap 16.4-7). Nesse trecho, há o paralelo com a primeira praga do Egito, que atingiu não somente o rio Nilo, mas também as fontes, os poços e os ribeiros, transformando-os em sangue (Êx 7.19-25). O dano será total, e a destruição produzida, muito mais vasta. É de se admirar que algum ser humano ainda possa sobreviver a tudo isso.

Quanto ao anjo das águas, é possível que essa figura tenha sido extraída das nações pagãs, as quais acreditavam que cada elemento da natureza é controlado pelos anjos. Aprendemos aqui que Deus controla tudo, e nada fica fora da Sua influência: E ouvi o anjo das águas que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas (Ap 16.5). Esse versículo salienta a eternidade e a permanência do Senhor. O Criador transcende o tempo, embora também Se manifeste dentro dele. O Altíssimo está sempre presente e pronto para julgar os homens segundo as suas obras.

O castigo de beber sangue é uma espécie de punição de acordo com a natureza da culpa. A pessoa colherá aquilo que ela semear. Essa é a base da doutrina cristã e da moralidade, confirmando que a Deus pertencem a recompensa e o castigo. O anjo das águas punirá os homens sedentos de sangue, fazendo-os beber dele. O texto de Apocalipse 16.6,7 (Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste sangue a beber; porque disto são merecedores. E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor, Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos) mostra que as palavras vindas do altar representam o cumprimento das orações dos mártires debaixo dele, implorando que o Todo-Poderoso vingue o sangue deles dos povos da Terra, os quais os perseguiram e mataram. Então, o juízo divino começará a ser implantado, e o altar falará em favor dos mártires, declarando que esse julgamento será justo, conforme registra Apocalipse 6.10: E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

A QUARTA TAÇA – E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo. E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória (Ap 16.8,9). A quarta taça tem mais ou menos o mesmo caráter da quarta trombeta, registrada em Apocalipse 8.12 (E o quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas, para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite). Porém, em vez de uma terça parte do Sol ser atingida, o poder do astro será tremendamente aumentado. Há também a possibilidade de redução da atmosfera protetora da Terra, a qual, em condições normais, filtra a radiação solar nociva. No entanto, sem ela, os raios solares atingirão a superfície do planeta sem o seu “escudo”. Dessa maneira, o Sol, antes capaz de garantir a vida no globo terrestre, irá se tornar um inimigo. Contudo, a iniquidade dos homens será tão grande que a própria natureza se revoltará contra eles, prejudicando-os enormemente em vez de ajudá-los. Esse versículo demonstra que a natureza ameaçará o homem de extinção.

Na próxima edição, falaremos da quinta, sexta e sétima taça.

Abraão de Almeida
Pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. E-mail: abraaodealmeida7@gmail.com

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