
Oswald J. Smith dedicou a vida à expansão global do Evangelho ao longo do século 20
23/09/2026
Missionário, quem é Deus? Como podemos conhecê-Lo?
I. G. T., sem identificação da cidade
R.: Deus é o único Ser eterno: nunca teve começo e jamais terá fim. Tudo o que existe, inclusive aquilo que não conhecemos, teve um início, exceto o Criador de todas as coisas. Esse é o ponto de partida de um pensamento filosófico que dá base à argumentação racional acerca da existência de Deus. Ao examinar as coisas ao nosso redor, sejam gigantescas como o Universo, sejam minúsculas como os átomos, o homem percebe a ordem e a organização submissas a leis rigorosas que jamais poderiam ser obras do acaso. Tais coisas manifestam, como dizem as Escrituras, a glória e o poder infinitos do Altíssimo (Sl 19.1-6; Is 40.12-26). Porém, a meu ver, é mais útil pensar em outra direção: uma vez que Deus existe e é o Criador de tudo, qual é o propósito dEle para minha existência? A resposta a essa indagação – de longe, a mais relevante da vida humana – está na Bíblia Sagrada. Nela, encontramos tudo quanto precisamos saber acerca do Eterno e do Seu propósito para nós: Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça (2 Tm 3.16). Sobre isso, há um fato extraordinário: a Bíblia inteira aponta para o Filho de Deus que Se tornou homem, a fim de pagar a nossa dívida contra o Pai celestial e, assim, redimir-nos da condenação do pecado e garantir-nos um futuro eterno na companhia do Altíssimo (Jo 3.16; Fp 2.5-11; Cl 2.15). Jesus, também conhecido como o Verbo, a Palavra de Deus (Jo 1.1-3), não foi meramente um grande Mestre ou um homem virtuoso, e sim o Redentor de toda a criação. Quem quiser conhecer o Altíssimo deve olhar para Cristo, a imagem visível do Deus invisível (Cl 1.13-23). Examine, com sinceridade, o Livro Santo, começando pelos evangelhos, e a fé brotará em seu coração, guiando você para longe das dúvidas. Conte com minhas orações!
A profecia sobre o rei de Tiro, registrada em Ezequiel 28, refere-se a Satanás?
Y. W. A., via internet
R.: Embora o texto se refira explicitamente ao monarca, o conteúdo da mensagem profética indica alguém não humano. Por meio da voz de Ezequiel, Deus menciona um ser que esteve no Éden, revestido de glória e autoridade que extrapolam a de um rei, a ponto de ser chamado de querubim ungido. A descrição desse ser chega a dizer que ele era perfeito em formosura e nos caminhos que trilhava, desde o dia em que fora criado (v. 12-15). Ora, nenhum ser humano caberia nessa descrição, por mais que o exagero atribuído à poesia pudesse ser invocado (o texto usa linguagem poética). Isso não significa que o homem, rei de Tiro, também não estivesse sendo condenado nessa passagem, naquilo que chamamos de paralelismo bíblico. De modo semelhante acontece com o texto de Isaías 14.12-19, no qual o personagem humano a quem a profecia é dirigida é o rei da Babilônia, mas alude ao anjo caído, Satanás. Em ambas as passagens, as principais causas da queda do querubim ungido foram vaidade e ambição. Não à toa, as Escrituras alertam para o perigo desses pecados, inclusive para quem almeja o ministério (1 Tm 3.6).

Missionário, na igreja, ouvimos bastante a expressão usada pelo apóstolo Paulo, em Efésios 5.16: Remindo o tempo, porquanto os dias são maus. Poderia explicar qual é o significado desse versículo?
G. P., sem identificação da cidade
R.: Essa é uma exortação das mais relevantes em nosso tempo, dirigida ao povo de Deus. Ela significa que devemos nos portar de maneira sábia e inteligente, aproveitando ao máximo as oportunidades para testemunhar do nosso poder para agir em Nome de Jesus. Isso é representar o Reino de Deus à altura, pois somos os seus embaixadores (2 Co 5.20). Esse ministério, expresso não apenas em cultos, reuniões ou visitas especiais, deve caracterizar o nosso modo de vida. Por isso, o apóstolo fala da necessidade de analisarmos com prudência como andamos, não na ignorância, mas como sábios (v. 15). A principal razão para isso é a qualidade dos dias em que vivemos; ao contrário do que muitos pensam, as coisas estão se deteriorando cada vez mais. O desafio de quem ama o Senhor e a Sua Palavra é manter-se como luz em meio às trevas crescentes: Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo (Fp 2.15).
Por que o Senhor exigia sacrifícios de animais no Antigo Testamento?
L. B. N., via internet
R.: A epístola aos Hebreus é a melhor leitura que você pode fazer para entender a razão não apenas dos sacrifícios de animais, mas também de todo o ritual prescrito no Antigo Testamento. Naquela Aliança, tudo apontava de modo pedagógico e profético para a obra que Jesus realizaria no Calvário (Hb 8—10). Deus é absoluta e perfeitamente justo, de sorte que o iníquo e o pecador não podem permanecer impunes. Para que a justiça divina seja exercida, tem de haver punição, e esta é a morte
(Ez 18.4; Rm 6.23a). Por isso, a segunda parte de Hebreus 9.22 afirma: Sem derramamento de sangue não há remissão. Em resumo, o animal oferecido em sacrifício morria em lugar do pecador, recebendo a condenação destinada ao ofertante. Isso apontava para o Salvador, como expressou João Batista quando viu Jesus: No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).
Já ouviu falar sobre Teologia do Reino? Se sim, poderia me explicar o que vem a ser isso?
R. E. X., sem identificação da cidade
R.: Essa é uma das formas que os eruditos utilizam para designar o ensino do Evangelho. Em suma, trata-se da crença (verdadeira) de que o Reino de Deus já se iniciou, uma vez que o Rei dos reis veio ao mundo na pessoa de Jesus de Nazaré. Tanto é assim que os evangelhos registram as falas do próprio Senhor: Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, a vós é chegado o Reino de Deus (Lc 11.20). A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele (Lc 16.16). O Mestre usou o verbo no tempo presente, confirmando que o Reino já fora inaugurado. Entretanto, ele ainda não se consumou, uma vez que isso se dará na volta do Rei: na segunda vinda de Cristo, como alertou os discípulos e ilustrou em parábolas (Mt 24—25). A consumação do Reino, em sua plenitude, é narrada em Apocalipse 20.1-6, no qual lemos que os seguidores do Cordeiro reinarão com Ele. Porém, a missão deles aqui e agora é anunciar esse Reino e representar o Rei neste mundo, como sal e luz, agindo como Seus embaixadores (Mt 5.13-16; 2 Co 5.20). Esse ministério é tão precioso que o Salvador nos investiu do Seu poder e da Sua autoridade, para fazermos as Suas mesmas obras até que Ele venha (Lc 10.19; Jo 14.12).


