Melodias eternas

14/08/2026

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14/08/2026

Pastores ressaltam que a mulher cristã deve unir diálogo e sabedoria para preservar a união a dois

Foto: Arte de Gemini AI

Por Lilia Barros

A conversão da mulher ao cristianismo, segundo teólogos e pastores, pode alterar, de forma significativa, a dinâmica do casamento quando o cônjuge é descrente. A decisão de seguir a fé representa o início de uma nova fase na vida da esposa, marcada por outros comportamentos, valores e prioridades que vão repercutir na convivência conjugal. No quadro Missionário Responde, exibido no programa Show da Fé, ao ser indagado sobre o tema do jugo desigual (1 Co 7.10-16), o Missionário R. R. Soares aconselha a mulher cristã a perseverar em oração pela conversão do companheiro, pregar o Evangelho por meio do testemunho de vida e cultivar atitudes de santidade, amor e submissão no lar.

O Missionário R. R. Soares aconselha a mulher cristã a perseverar em oração pela conversão do companheiro, pregar o Evangelho por meio do testemunho de vida e cultivar atitudes de santidade
Foto: Arquivo Graça / Solmar Garcia

A aposentada Nilzete Santos França, 72 anos, passou por uma situação de conflito com seu esposo, Antônio Edmundo França, justamente após ela ter se convertido ao Evangelho, duas décadas depois da troca de alianças. O marido não compartilhava da mesma fé e resistiu àquelas mudanças no dia a dia. Ela relata que, mesmo antes da conversão, já assistia ao programa Show da Fé. Um dia, por meio da oração do Missionário, foi curada de reumatismo [doença que afeta articulações, músculos, ossos, ligamentos e tendões], e, desse modo, passou a frequentar a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD). “Entreguei minha vida a Jesus e fui batizada nas águas. Apaixonei-me pelo Mestre”, testemunha.

Aquela nova rotina de vida de Nilzete, porém, gerou problemas para o relacionamento, já que ela passou a participar de cultos e ações evangelísticas, muitas vezes em horários que contrariavam a vontade de Antônio. “Queria trabalhar para Cristo. Entregava folhetos nas ruas e chegava a casa à noite”, lembra-se a aposentada. Entretanto, com o aumento das tensões no lar, a situação se agravou a tal ponto que ela passou a sofrer ameaças e vivenciar episódios de violência. Foi quando Nilzete decidiu mudar sua postura. Evitava confrontos e orava discretamente pelo marido. Aquela iniciativa, diz ela, produziu resultados. Aos poucos, o relacionamento começou a ser restaurado. “Aprendi a equilibrar a fé com os cuidados do casamento, e, nesse meio tempo, ele foi se aproximando do Evangelho”, relembra-se.

A aposentada Nilzete Santos França viveu conflitos com seu esposo, Antônio, justamente após ela ter se convertido, mas, depois, ele aceitou Jesus: “É preciso orar, persistir, mudar posturas e permitir que o marido perceba a transformação”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Antônio França aceitou Jesus como Senhor e Salvador e permaneceu firme com Cristo, ao lado de Nilzete, durante 33 anos, até a morte dele, em 2006, aos 55 anos. Para ela, aquela experiência lhe rendeu ensinamentos de perseverança. “Minha conversão não anulou meus votos conjugais”, afirma, aproveitando a oportunidade da entrevista à reportagem de Graça/Show da Fé para deixar um recado. “É preciso orar, persistir, mudar posturas e permitir que o marido perceba a transformação”, relata a aposentada, a qual integra hoje o grupo de intercessoras do ministério Mulheres Que Vencem (MQV), na sede estadual da Igreja da Graça na Bahia, em Salvador.

Para o Pr. Gilson Paiva Bifano, fundador e diretor do Ministério Oikos, de apoio às famílias, a conversão exige equilíbrio para que a fé não seja interpretada como afastamento conjugal. “A mulher precisa demonstrar sua transformação também na maneira como cuida do relacionamento matrimonial”, ensina ele, frisando que há situações em que o marido, embora permaneça distante da mesma fé, deseja manter o matrimônio. Nesses casos, Bifano pondera que o testemunho cristão deve ser evidenciado no dia a dia. Com base em 1 Pedro 3.1,2, ele assevera: “O esposo pode ser alcançado não apenas por palavras, mas também pela conduta, pelo caráter e pela maneira como a parceira vive o Evangelho.”

O Pr. Gilson Paiva Bifano assevera: “O esposo pode ser alcançado não apenas por palavras, mas também pela conduta, pelo caráter e pela maneira como a parceira vive o Evangelho”
Foto: Reprodução / Instagram – modificada por IA

Aliança divina – O Pr. Jamil Ribacki de Matos, líder estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Maranhão, sublinha que o modo como a esposa apresenta a sua fé no Senhor dentro do casamento pode (ou não) gerar conflitos. “Há mulheres que falam apenas sobre ofertas, fazem cobranças e exigem mudanças na rotina da casa. Outras passam a adotar práticas religiosas rígidas e impõem costumes, até o momento em que o cônjuge deixa de concordar com sua participação na igreja”, observa o pastor, lembrando que, se a mulher demonstra que houve uma transformação espiritual, por meio de gestos positivos no relacionamento, há uma mudança na percepção do marido. “Com o tempo, ele pode desejar conhecer aquilo que produziu mudança na vida da esposa.”

O Pr. Jamil Ribacki de Matos lembra que, se a mulher demonstra que houve uma transformação espiritual, por meio de gestos positivos no relacionamento, há uma mudança na percepção do marido
Foto: Arquivo pessoal

O ministro destaca ainda que é preciso encarar o ensino do apóstolo Paulo sobre o jugo desigual como uma espécie de alerta. “Existem diferenças que desencadeiam dificuldades no meio da família, pois o cônjuge descrente pode não compreender ou não valorizar determinadas doutrinas cristãs”, observa Jamil de Matos, referindo-se ao texto de 1 Coríntios 7.10-16, citado no início desta reportagem: Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.  […] E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. […] Deus chamou-nos para a paz. Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?

De acordo com Ribacki, quando Deus alcança uma pessoa, Ele também considera os compromissos já assumidos, incluindo a aliança matrimonial. No entanto, o ministro admite que as disparidades religiosas potencializam discordâncias sobre temas que dizem respeito a valores e práticas espirituais, contribuições à igreja e participação em determinadas celebrações. Por isso, o ministro enfatiza que a mulher cristã deve agir com prudência, amor e discernimento no cuidado com a família. “Ela deve edificar sua casa, como ensina Provérbios 14.1”, reitera, citando o texto: Toda mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola derriba-a com as suas mãos. O pastor sugere que a esposa mantenha a fé com diálogo e sabedoria caso o marido tente impedi-la de frequentar a igreja. “Ela deve orar, buscar entendimento e reafirmar a importância da comunhão com Deus. Nada substitui um bom testemunho”, prega Ribacki, lembrando o exemplo de Timóteo, cuja fé foi influenciada pela avó Loide e pela mãe, Eunice. “A postura cristã dentro do lar pode produzir bons frutos (2 Tm 1.5). Deus sustenta a casa quando há fé, amor e perseverança.”

Foto: Arte de Gemini AI

Para o Pr. Marcos de Oliveira, auxiliar na sede estadual da Igreja da Graça em Minas Gerais, uma referência bíblica para mulheres que desejam fortalecer e edificar seus lares é a passagem de Neemias 4.17, que descreve a estratégia de defesa durante a construção do muro de Jerusalém. O texto, afirma o pastor, revela que a edificação da família exige ação e vigilância espiritual constante. “Com uma mão eles realizavam o trabalho e, com a outra, seguravam a espada, que representa a oração. Agir é um princípio importante, mas há também a necessidade de permanecer atento e dependente do Altíssimo”, salienta Marcos, advertindo que discrepâncias profundas de fé enfraquecem a unidade familiar, conforme ensina o Senhor Jesus em Mateus 12.25b: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Na opinião de Oliveira, a falta de alinhamento espiritual pode trazer impactos para toda a família, especialmente para os filhos, que enfrentam dificuldades diante de orientações e valores divergentes entre os pais.  “Um lar dividido perde a harmonia necessária para permanecer firme, e a postura da esposa pode ser um diferencial à medida que ela for luz e instrumento de transformação na dinâmica familiar.”

O Pr. Marcos de Oliveira destaca que a edificação da família exige ação e vigilância espiritual constante: “Agir é um princípio importante, mas há também a necessidade de permanecer atento e dependente do Altíssimo”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Por sua vez, o Pr. Valdir Stephanini, emérito da Primeira Igreja Batista da Cidade da Serra (ES), afirma que o apóstolo Paulo apresenta uma orientação direta aos cristãos de Corinto que viviam em casamentos nos quais apenas um dos cônjuges seguia a fé cristã. “O apóstolo orienta que, se o cônjuge não crente deseja permanecer na relação, a união não deve ser desfeita, já que a esposa crente santifica o marido descrente”, destaca ele, citando o texto de 1 Coríntios 7.12-16. O ministro batista reforça que a união matrimonial possui uma dimensão profunda que ultrapassa os aspectos religiosos. “A expressão bíblica de que marido e mulher se tornam ‘uma só carne’ − mencionada diversas vezes nas Escrituras Sagradas − revela algo profundo, que vai além de uma explicação apenas racional.”

O Pr. Valdir Stephanini reforça: “A expressão bíblica de que marido e mulher se tornam ‘uma só carne’ − mencionada diversas vezes nas Escrituras Sagradas − revela algo profundo, que vai além de uma explicação apenas racional”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Segundo Stephanini, mesmo quando o cônjuge abandona a fé bíblica depois do casamento, a aliança estabelecida continua tendo valor. “Os votos conjugais não dependem exclusivamente da conversão da pessoa a Jesus, pois o casamento é uma instituição que possui uma magnitude maior do que a religião adotada individualmente”, esclarece o pastor, asseverando que a manutenção do matrimônio deve considerar a preservação do respeito e dos compromissos assumidos pelo casal. Em seu entendimento, apenas em situações como desrespeito aos valores fundamentais do cônjuge cristão ou qualquer forma de violência podem alterar essa realidade. “Fora dessas circunstâncias, a aliança firmada deve ser honrada e preservada.”


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