O Rev. John Jasper superou a escravidão e marcou a história do cristianismo nos EUA com sua dedicação ao Evangelho

20/07/2026

O Rev. John Jasper superou a escravidão e marcou a história do cristianismo nos EUA com sua dedicação ao Evangelho

20/07/2026

O “não” de Deus ou o Seu silêncio, segundo líderes cristãos, é oportunidade para o amadurecimento da fé

Foto: Arte de Gemini AI sobre foto de Ben White / Wirestock / Adobe Stock

Por Lilia Barros

O desaparecimento do piloto Antônio Sena, em 2021, mobilizou buscas e chamou atenção pela forma como ele conseguiu sobreviver após a queda do avião em uma região remota da Amazônia. Isolado na floresta por 36 dias, ele enfrentou fome, chuva intensa e dificuldades extremas até ser encontrado com vida por trabalhadores extrativistas. Segundo Sena, após a pane da aeronave, viu-se sozinho na mata fechada. Durante mais de um mês, improvisou para continuar vivo, alimentando-se de ovos encontrados na floresta, bebendo água da chuva e dormindo sobre folhas úmidas, enquanto tentava resistir às condições adversas da selva amazônica. Sem conseguir acender fogo por causa das tempestades constantes, o piloto viveu momentos de desespero e exaustão emocional. Mas, em meio àquela situação, fazia orações frequentes, pedindo a Deus que a chuva estiasse para facilitar o resgate. Com o passar do tempo, porém, a esperança começou a diminuir diante da demora no socorro e do isolamento total.

O Pr. Gustavo Lisboa Borges diz que o primeiro passo é manter a confiança no caráter do Onipresente, que continua conduzindo a nossa história
Foto: Arquivo pessoal

No entanto, a sorte de Antônio mudou de maneira inesperada: três castanheiros chegaram à área onde ele estava, no município de Almeirim (PA), próximo à divisa com o estado do Amapá, e conseguiram resgatá-lo. Ao questionar como eles haviam alcançado um local considerado praticamente inacessível, ouviu uma resposta surpreendente: as fortes chuvas elevaram o nível do rio, permitindo que a embarcação navegasse até a região. Ou seja, a tempestade que o piloto desejava ver cessar possibilitou a chegada do resgate. Estudiosos da Palavra, ao buscarem explicações bíblicas para esse tipo de evento, lembram que as respostas do Altíssimo podem vir de maneiras diferentes do esperado, seja por um ‘sim’ ou um ‘não’, seja pelo tempo de espera.

Soberania divina – Na opinião do Pr. Gustavo Lisboa Borges, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Centro de Salvador (BA), diante de uma situação de perigo, o primeiro passo é manter a confiança no caráter do Onipresente, que continua conduzindo a nossa história, conforme Jeremias 29.11: Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais. “Se Ele é Pai, então até um ‘não’ pode ser uma forma de cuidado. Como um pai terreno protege os filhos de escolhas que podem prejudicá-los, Deus também sabe o que é melhor para cada um de nós”, prega.

O Pr. Lisânias Moura analisa: “O Senhor dá espaço para nossa fé ser testada e, nesse processo, leva-nos à maturidade que não alcançaríamos se estivéssemos sempre sem pressões ou dificuldades”
Foto: IA de Firefly sobre foto de Arquivo pessoal

Borges aconselha que o seguidor de Cristo permaneça fiel ao Senhor, mesmo quando não há respostas imediatas dEle. “O crente deve continuar orando, buscando e caminhando em obediência, pois o silêncio de Deus não significa ausência, mas um tempo de formação e amadurecimento para o cristão”, ensina o líder, citando o exemplo de José do Egito, que, depois de receber sonhos do Criador ainda jovem, passou anos sofrendo em razão da traição dos irmãos, da venda como escravo e da prisão injusta. “No tempo certo, porém, o Altíssimo cumpriu Seu plano e o levantou como governador do Egito, mostrando a José (e a nós) que Seu silêncio, muitas vezes, é apenas um período de preparação”, esclarece o pastor, acrescentando que os servos de Deus nem sempre entendem quando Ele fecha uma porta ou quando aquilo que pedem não acontece. “É o nosso Deus guardando-os de caminhos que poderiam feri-los e conduzindo-os para algo maior e melhor.”

O Pr. Israel Belo de Azevedo assegura: “Nem tudo o que desejamos é, de fato, o melhor para nós. O Pai conhece toda a nossa realidade e, muitas vezes, Ele nos preserva de situações que poderiam nos causar dano”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Seguindo esse mesmo raciocínio, o Pr. Lisânias Moura, emérito da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo (SP), menciona a trajetória de Ana, mãe de Samuel, que enfrentou um longo tempo de silêncio até ser atendida em suas orações e abençoada com a maternidade. “Em 1 Samuel 1.7, fica claro que, anualmente, Ana ia ao templo e era humilhada por Penina, a outra mulher de Elcana. Por quantos anos ela teve de esperar para engravidar? Não sabemos”, pontua o ministro batista, destacando, no entanto, que nem toda história termina com respostas do Senhor, como aconteceu com Ana. Ele relembra que Jesus orou por três vezes e pediu ao Pai que, se possível, passasse dEle o cálice da crucificação (Mt 26.39), porémDeus Se manteve em silêncio (Mt 26.36-46). “Cristo sabia que ressuscitaria, mas, como homem, sofreu, assim como nós, o silêncio do Pai.”

Foto: Arte de Gemini AI sobre foto de Kateryna / Gerada com IA / Adobe Stock

De acordo com Lisânias, o Criador vê a angústia de cada um e sabe a hora deintervir, mas, durante a espera, Ele não deixa ninguém desprotegido. “O Senhor dá espaço para nossa fé ser testada e, nesse processo, leva-nos à maturidade que não alcançaríamos se estivéssemos sempre sem pressões ou dificuldades”, analisa o pastor, reconhecendo que não existe uma fórmula, um padrão, que indique como agir diante de provações, culpas e desejos quando surgem os questionamentos e a vontade de desistir de orar. “Ele nos ensina a confiar mesmo quando nosso relógio quer adiantar, e odEle parece estar parado”, ensina Moura, recomendando que compartilhemos com Deus nossas dúvidas e nossos medos. “O Altíssimo não usa uma tabela de punição. Se o silêncio for para disciplinar, ao confessar o pecado, o caminho da direção é reaberto, pois não há provação sem alívio”, observa, referindo-se ao conhecido texto paulino de 1 Coríntios 10.13 (Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar).

Controle de Deus – O Pr. Israel Belo de Azevedo, líder da Igreja Batista Itacuruçá, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), frisa que Deus sempre responde às orações, ainda que, muitas vezes, não tenhamos recebido a resposta desejada. “Grande parte dos nossos clamores está ligada aos nossos desejos – aquilo que queremos, mas não necessitamos.” Segundo o ministro batista, o Altíssimo raramente silencia. “Quando isso ocorre, é temporário, porque não existe a possibilidade de Ele não responder. Na verdade, o problema é não ouvirmos a Sua voz.”

O advogado Gilberto Garcia pondera: “O Senhor tem o controle de tudo. Questões sobrenaturais dependem da Sua vontade”
Foto: Arte de Gemini AI sobre foto de reprodução / Instagram – modificada por IA

Para Azevedo, a resposta do Senhor está diretamente relacionada à Sua sabedoria. “Nem tudo o que desejamos é, de fato, o melhor para nós. O Pai conhece toda a nossa realidade e, muitas vezes, Ele nos preserva de situações que poderiam nos causar dano”, assegura, citando exemplos bíblicos, como Elias – que, antes de ouvir a voz do Alto (1 Rs 19.1-18), enfrentou momentos de angústia devido à perseguição da rainha Jezabel – e Pedro, que precisou lidar com a culpa e o silêncio após negar Jesus (Mt 26.69-75). De acordo com o pastor, tanto as respostas positivas quanto as negativas carregam um significado. “O que Deus faz é para o nosso bem, e o que não realiza também pode ter o mesmo propósito.”

Na opinião do advogado Gilberto Garcia, professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e da Faculdade Evangélica de Tecnologia, Ciências e Biotecnologia (FAECAD), ligada à Assembleia de Deus, o crente em Jesus precisa aceitar o “não” dAquele que vê o todo. “Conseguimos ver apenas em parte. O fato é que recebemos livramentos de situações ou pessoas sem tomar conhecimento”, avalia Garcia, que congrega na Primeira Igreja Batista em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense. Ele res­salta a experiência dos discípulos que preten­diam anunciar a Palavra – a vontade explícita do Criador – na Ásia, e foram impedidos pelo Espírito Santo (At 16.6,7). Citando o texto de Atos 16.9,10, o advogado recorda-se: “O Pai respondeu com o ‘não’, já que Ele tinha planos para que fossem para a Macedônia.”

O Pr. Marinelshington da Silva afirma: “Às vezes, parece que as nossas orações não são ouvidas, mas são, porque o Senhor é soberano. Ele pode até estar calado, mas nunca ausente”
Foto: Arquivo pessoal – modificado por IA

Garcia lembra também da trajetória do apóstolo Paulo, destacando que ele orou três vezes pedindo a remoção do espinho na carne que o afligia (2 Co 12.8). “No entanto, a resposta do Senhor foi negativa e acompanhada da afirmação de que a graça de Deus lhe era suficiente (2 Co 12.9)”, diz o jurista, assinalando que, quando o Todo-Poderoso responde de modo negativo, não significa, necessariamente, um sinal de Sua indignação contra um pecado cometido. “O Senhor tem o controle de tudo. Questões sobrenaturais dependem da Sua vontade”, pondera o professor, sinalizando que Jó e o profeta Elias clamaram pela morte, mas não foram atendidos (Jó 10.18,19; 1 Rs 19.4).

Para o Pr. Marinelshington da Silva, líder da Assembleia de Deus na Praia da Costa, em Vila Velha (ES), o silêncio do Altíssimo ou a ausência de uma resposta imediata às orações não significa abandono divino. De acordo com o ministro, o Onipotente continua ouvindo cada pedido, ainda que a resposta possa ser diferente da esperada. “Às vezes, parece que as nossas orações não são ouvidas, mas são, porque o Senhor é soberano. Ele pode até estar calado, mas nunca ausente”, afirma o pastor assembleiano, dando conta de que a negativa do Pai pode representar proteção e cuidado espiritual. “Muitas vezes, o ‘não’, além de resposta, é um livramento para a nossa vida.”

Ele ensina que o silêncio divino pode fazer parte de um processo de transformação espiritual e amadurecimento da fé. “Deus lança mão de circunstâncias difíceis para tratar áreas da vida humana e conduzir mudanças interiores. Em muitos casos, o ‘não’ evidencia uma ação transformadora na vida de alguém”, esclarece, pontuando que os princípios estabelecidos na Bíblia são imutáveis. “Por exemplo, há tentativas de amenizar a transgressão, o pecado, com novos termos, mas a iniquidade continua sendo aquilo que separa o homem do Criador”, salienta.

A neuropsicoterapeuta Patrícia Pedro declara: “O Senhor não é bom apenas quando nos atende. Ele é justo e continua sendo poderoso mesmo quando não entendemos os Seus caminhos”
Foto: Arquivo pessoal

Diferentes significados – A neuropsicoterapeuta Patrícia Pedro sustenta que tanto o “não” quanto o silêncio do Criador podem representar oportunidades de amadurecimento espiritual. Segundo ela, ao compreender esses momentos, o cristão tem a chance de desenvolver uma visão mais profunda acerca do caráter do Altíssimo. “O Senhor não é bom apenas quando nos atende. Ele é justo e continua sendo poderoso mesmo quando não entendemos os Seus caminhos”, declara, ressaltando que o silêncio de Deus representa um convite à fé, à reflexão e ao crescimento espiritual, e funciona como um efeito pedagógico e transformador. “No silêncio, muitas vezes, aprendemos a caminhar, discernir e confiar”, assevera a especialista, que frequenta a Igreja Redenção Baixada, em Nilópolis (RJ).

Patrícia cita o exemplo de Davi, que, após o pecado cometido com Bate-Seba (2 Samuel 12.16-23), viu o primeiro filho do casal adoecer gravemente. “O rei orou, jejuou e suplicou pela cura da criança, mas o menino acabou morrendo. Mesmo diante da dor, Davi reconheceu a soberania de Deus e se levantou para seguir a vida”, observa ela, lembrando que, independentemente do silêncio do Senhor ou do Seu “não”, o cristão deve permanecer firme, confiante, mesmo quando não compreende determinada situação ou não tem todas as respostas. “Há diferentes significados para as negativas do Altíssimo. Pode ser uma proteção contra prejuízos espirituais ou emocionais, um amadurecimento que precisa ocorrer antes da realização de um pedido ou um redirecionamento da vida a fim de que esteja alinhada ao propósito do Reino”, explica Patrícia, ressaltando que, em muitos casos, a negativa do Senhor Deus funciona como um aviso de que as estruturas internas do indivíduo estão desordenadas. “Ele não apenas nega algo, mas também expõe o que precisa ser transformado na pessoa”, afirma a terapeuta, indicando, por outro lado, que há respostas do Alto que só se tornam compreensíveis com o passar do tempo. Referindo-se à mensagem do profeta Jeremias (Jr 29.11), a especialista conclui: “Podem fazer parte de um processo de formação, correção, proteção ou revelação espiritual. No entanto, é importante dizer que Sua intenção sempre é restaurar e salvar, nunca ferir”.


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