Crianças sob risco na era digital

09/06/2026

Crianças sob risco na era digital

09/06/2026
Para observadores cristãos, pastores, missionários e teólogos, eventos como a Copa do Mundo sempre abrem espaço para reflexões sobre o comportamento cristão em competições esportivas
Foto: U. J. Alexander / Adobe Stock

Por Victor Rodrigues, especial para edição digital de Graça/Show da Fé


Começa hoje (11/06) a Copa do Mundo de 2026, com a partida entre México e África do Sul, válida pelo Grupo A, no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, às 16h (horário de Brasília). Considerada uma das competições de maior visibilidade do planeta, esta edição do Mundial de Futebol reúne 48 seleções, que representam diferentes bandeiras e culturas. O torneio, que conta com três países-sede (Estados Unidos, México e Canadá), deve movimentar bilhões de dólares, incluindo gastos com hospedagem, alimentação, meios de transporte, compras e bilheteria, segundo informações da FIFA, órgão máximo do futebol mundial e organizadora do evento. Do ponto de vista cristão, entretanto, há muito mais a ganhar do que dinheiro, visibilidade, título de campeão, taça e medalhas.

O sociólogo cristão Elmir Dell’ Antônio diz que “um jogo pode despertar paixões intensas e, em certos casos, rivalidade, desprezo pelo adversário, humilhação do outro ou perda de domínio próprio”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Para observadores cristãos, pastores, missionários e teólogos, eventos dessa magnitude sempre abrem espaço para reflexões sobre o comportamento do seguidor de Cristo e a pregação da Palavra de Deus. Sob a ótica do sociólogo cristão Elmir Dell’ Antônio, a Copa do Mundo ultrapassa o aspecto esportivo, pois reúne torcidas formadas por pessoas de diferentes religiões e classes sociais que manifestam sentimentos como euforia, tensão e frustração.

De acordo com Dell’ Antônio, em países com fortes desigualdades, como o Brasil, esse fenômeno se intensifica, já que o futebol atravessa barreiras socioeconômicas. “O fato de alguém professar a fé cristã não coloca a pessoa automaticamente fora da influência das dinâmicas coletivas. Um jogo pode despertar paixões intensas e, em certos casos, rivalidade, desprezo pelo adversário, humilhação do outro ou perda de domínio próprio. Sentir alegria pela própria nação, torcer pelo próprio país ou celebrar uma identidade cultural não é, por si só, incompatível com a fé cristã. Porém, a Bíblia nos convida ao autocontrole: Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”, ensina o especialista, citando o texto de 2 Timóteo 1.7.

O ex-jogador Michel Simplício lembra que modalidades como o futebol têm enorme potencial de evangelização
Foto: Arquivo pessoal

O ex-jogador Michel Simplício, campeão catarinense em 2006 pelo Figueirense, teve carreira como atacante no Brasil e no exterior, e, após se aposentar, passou a se dedicar integralmente à fé cristã. Hoje, atua como pastor na Igreja Mais de Cristo Orlando, na Flórida (EUA), e é autor de devocionais, como o livro Priorize Deus. Ele reconhece que o ambiente esportivo é desafiador, mas, ao mesmo tempo, lembra que modalidades como o futebol representam oportunidades únicas de evangelização. “Por parte do jogador cristão, a visibilidade de eventos como a Copa do Mundo permite que mensagens de fé alcancem milhões de pessoas. Pequenas atitudes como uma oração antes do jogo, uma palavra de gratidão a Deus em entrevistas ou uma postura íntegra em campo podem impactar vidas”, afirma Simplício, que atuou também na Ponte Preta, de Campinas (SP), e em equipes estrangeiras – Naval (Portugal), Qadsia SC (Kuwait) e Al Khaleej (Emirados Árabes Unidos). Ao ser indagado pela reportagem de Graça/Show da Fé sobre o risco de o futebol se tornar um ídolo para o torcedor, levando-o a colocar sua esperança e alegria apenas nos resultados de um time, ele foi taxativo: “Quando mantemos Deus no centro, conseguimos desfrutar do esporte com equilíbrio”.

O Pr. Rafael Mariano dos Santos, diretor da Agrade, alerta: “Se o futebol tira do cristão o tempo de busca e comunhão com Deus e com a família, torna-se objeto de idolatria”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Para o Pr. Rafael Mariano dos Santos, diretor da Academia Teólogica da Graça de Deus (Agrade), há uma diferença muito grande entre torcer de maneira saudável e “se embriagar” com a paixão esportiva. “Se o futebol tira do cristão o tempo de busca e comunhão com Deus e com a família, torna-se objeto de idolatria. Quando a apreciação é saudável, todos os envolvidos reconhecem o valor desse esporte como instrumento de comunhão, compreendendo que Deus está em todos os lugares e vê todas as coisas”, argumenta o ministro, fazendo referência à passagem bíblica de Provérbios 15.3. Na opinião de Rafael dos Santos, os crentes precisam fazer a si mesmo, com sinceridade, pelo menos duas perguntas para identificar se o futebol se tornou um ídolo. “Penso nisso o tempo todo? Perco a minha paz? Se a resposta for positiva, é preciso se arrepender e levar cativo todo entendimento à obediência de Cristo, conforme orienta o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 10.5”, ensina.

O Pr. André Carvalho não vê problema no fato de o cristão acompanhar a Copa do Mundo, mas ressalta que excessos tornam a prática prejudicial
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Por sua vez, o Pr. André Carvalho, da Igreja Batista Nova Jerusalém, em Vila Velha (ES), não vê problema no fato de o cristão acompanhar a Copa do Mundo, mas ressalta que excessos tornam a prática prejudicial, à luz de 1 Coríntios 10.31 (Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus). “É preciso cuidar para não deixar de lado coisas importantes: a vida espiritual, a família e as responsabilidades do dia a dia. A fé não fica restrita a momentos específicos. Ela se reflete em todas as áreas de nossa existência, inclusive em algo simples como assistir a uma partida de futebol. Por isso, vale a pena se perguntar se determinadas atitudes combinam com aquilo em que se crê”, conclui.

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