Histórias de homens e mulheres que deixaram para trás vícios, conflitos e antigas práticas religiosas e foram transformados pelo poder do Evangelho

25/09/2026

Histórias de homens e mulheres que deixaram para trás vícios, conflitos e antigas práticas religiosas e foram transformados pelo poder do Evangelho

25/09/2026

Guardar a fé apesar da dor da espera é a chave para uma vida de vitórias

Fotos: Lightfield Studios / Adobe Stock

Por Leiliane Lopes

Diante de crises econômicas, questões de saúde e problemas familiares, lembram teólogos e pastores, a Palavra de Deus é clara: todos nós devemos ter esperança. Eles afirmam que esperar é manter a confiança inabalável no caráter do Altíssimo, mesmo quando as circunstâncias parecem completamente desfavoráveis. Segundo estudiosos, não se trata de tornar-se um otimista teimoso ou alguém que nega a realidade. Para quem estuda a Bíblia, a regra é simples: apegar-se à fé em Jesus e acreditar que, no tempo certo, a vitória tão esperada virá.

O Pr. Aderson Ferreira lembra: “A esperança bíblica passa por cima das más notícias porque está ancorada na fidelidade de Deus e em Suas promessas”
Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o Pr. Aderson Ferreira, 32 anos, líder da sede da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Juiz de Fora (MG), os textos das Escrituras Sagradas que falam que devemos esperar no Senhor não são um amontoado de palavras positivas ou de um otimismo condicionado às circunstâncias, ao que os olhos veem. “A esperança bíblica passa por cima das más notícias porque está ancorada na fidelidade de Deus e em Suas promessas. Ela resiste firme mesmo na tribulação, como está escrito em Romanos 5.3-5: E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.”Por isso, para Ferreira, o acolhimento pastoral deve ser feito com compaixão e sem cobranças, de maneira a orientar os cristãos a usar as ferramentas espirituais – oração, jejum e Palavra – e os ensinamentos recebidos na igreja para vencerem o dia ruim. “A fé ativa não nega a realidade, mas crê que a realidade não é maior que Deus.”

Foto: Death_rip / Adobe Stock

Esse mesmo entendimento é compartilhado pelo Pr. Daniel Augusto da Silva, 41 anos, líder da Igreja da Graça em Venda Nova, Belo Horizonte (MG). “O otimismo diz que as nuvens vão passar. Já a esperança declara que temos um abrigo mesmo se a tempestade vier”, prega o ministro, lembrando que a Escritura não fala que devemos ser otimistas. “Ela nos manda ter esperança, porque está fundamentada em um Deus que não muda”, ensina Silva, citando Hebreus 12.2: Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. “Devemos manter o foco em Cristo. É o que permite a nós, cristãos, permanecer de pé, independentemente do cenário externo. E, assim, provamos, em nossa vida, a fidelidade divina no tempo certo.”

Postura de confiança – A promotora de vendas Renata Rocha Apolinário Santana Soares, 52 anos, membro da IIGD em Venda Nova, aprendeu a usar a fé. Ela testemunha que, ao enfrentar o maior obstáculo de sua vida – ter dificuldades para engravidar após sofrer um aborto espontâneo em 2003 –, adotou uma postura de confiança absoluta e afastou o desespero mesmo diante de diagnósticos contrários.

O Pr. Daniel Augusto da Silva prega: “O otimismo diz que as nuvens vão passar. Já a esperança declara que temos um abrigo mesmo se a tempestade vier”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Renata conta que, ao buscar auxílio médico, passou por alguns exames. Neles, foi constatado que suas trompas uterinas estavam obstruídas e que ela sofria de endometriose grave (estágio 4), o que mantinha útero, bexiga e intestino colados devido a aderências. “Os médicos disseram que não tinha jeito, eu nunca engravidaria de forma natural, e a única alternativa seria a fertilização in vitro”, lembra-se. Mesmo diante das consecutivas respostas negativas da Medicina, a promotora se manteve firme, confiando que Deus mudaria aquela situação. [Do editor: A fertilização in vitro é um tratamento de reprodução assistida de alta complexidade, no qual a união do óvulo e do espermatozoide ocorre em laboratório]

Renata participava dos cultos de mulheres na IIGD, pedia orações constantemente e declarava que, se Deus a criou como mulher, ela geraria um filho em seu ventre, mesmo com tantos diagnósticos médicos dizendo que seria impossível. Em 2009, depois de uma campanha na Igreja, passou a ter certeza de que a bênção viria. Pouco tempo depois, submeteu-se a um exame de ultrassom, o qual apontou que o útero dela estava tomado por sangue e miomas. Nada disso, porém, impediu o milagre. “Liguei para o meu marido, Gilson, e disse a ele que estava grávida. O teste laboratorial confirmou a gravidez avançada e, em janeiro de 2010, nasceu a Ana Beatriz”, testemunha Renata, acrescentando que o significado do nome da filha é graça e alegria. Dois anos depois, ela engravidou novamente e deu à luz seu segundo filho, Daniel. “O caráter de Deus é trabalhar na nossa vida para entendermos quem Ele é. O conselho que dou é nunca desistir dos seus sonhos e profetizar a vitória.”

A promotora de vendas Renata Rocha Apolinário Santana Soares engravidou de forma natural, depois de ouvir dos médicos que só ficaria grávida se fizesse fertilização in vitro
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Períodos de espera – Do ponto de vista psíquico, a chamada “sala de espera da vida” é um ambiente propício para o desenvolvimento de crises de ansiedade, ensina a Dra. Rúbia Sousa, médica psiquiatra associada ao Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC) e atuante em Porto Alegre (RS). Ela esclarece que a mente humana busca naturalmente a previsibilidade e o controle. “Quando vivemos períodos de espera, especialmente diante de situações importantes, como questões de saúde, relacionamentos, trabalho ou decisões familiares, somos colocados diante da incerteza, um dos principais combustíveis da ansiedade”, explica a especialista. Ela acrescenta que a sala de espera cotidiana expõe algo muito difícil para o ser humano contemporâneo: reconhecer os próprios limites. “Nem tudo depende da nossa ação imediata e lidar com essa limitação pode despertar medo, impotência e sofrimento emocional”, informa.

A Dra. Rúbia Sousa informa: “Nem tudo depende da nossa ação imediata e lidar com essa limitação pode despertar medo, impotência e sofrimento emocional”
Foto: Divulgação – modificada por IA

Segundo a psiquiatra, a capacidade de tolerar a gratificação tardia –  habilidade de resistir a uma recompensa ou um prazer imediato em prol de um benefício maior e mais duradouro no futuro – é um marcador de maturidade emocional. No entanto, ela também faz uma advertência. “Sofrimento emocional não significa falta de fé. Porém, quando ele se torna persistente e compromete as amizades, o sono ou a produtividade, passa a exigir avaliação e tratamento médico”, assinala a doutora, membro da Igreja Batista Conde, na capital gaúcha. Rúbia Sousa esclarece ainda que muitas pessoas não suportam a dor e não conseguem esperar por um milagre. “Precisam aprender a buscar ajuda profissional. Na prática clínica, percebemos que pessoas emocionalmente mais maduras conseguem compreender que alguns processos exigem tempo, desenvolvimento profissional, vínculos afetivos, tratamento de saúde e amadurecimento pessoal. Com isso, elas são capazes de sustentar a espera sem que isso destrua completamente sua estabilidade emocional”, afirma.

De acordo com a profissional, aprender a esperar não é passividade. “Trata-se de desenvolver recursos internos para permanecer emocionalmente organizado mesmo quando ainda não se tem todas as respostas”, ensina, acrescentando que é importante procurar ajuda médica quando o medo e a ansiedade tomam conta da mente de quem espera por um milagre. “Acredito que fé e tratamento não são opostos. Muitas vezes, o cuidado emocional também faz parte de como Deus sustenta alguém durante um processo difícil. Buscar ajuda não significa confiar menos no Criador; apenas expressa o reconhecimento de nossa própria humanidade”, explica Rúbia, lembrando que uma fé madura não é ausência de sofrimento. “É a possibilidade de atravessá-lo sem perder completamente o sentido da caminhada.”

Saúde restaurada – O exercício da paciência ativa e da superação espiritual marcou a trajetória da corretora de planos de saúde Taiane Mota Santos, 30 anos, membro da Igreja da Graça no Parque Jurema, em Guarulhos (SP). Taiane enfrentava graves desafios físicos e emocionais decorrentes de um quadro de obesidade mórbida, no qual chegou a pesar 160 kg. Aos 18 anos, após assistir a uma palestra, compreendeu que a cirurgia bariátrica seria o caminho para a restauração de sua saúde e passou a orar, apresentando a Deus esse objetivo. O processo burocrático e o protocolo médico de exames, laudos e liberações estenderam-se por dois anos, período em que os sentimentos de medo, angústia e ansiedade quase a paralisaram. “Naquele tempo de espera, a ansiedade e o medo tentaram me parar. Lembro-me de sentir uma angústia no coração ao pensar que nunca chegaria a minha vez.”

Vencida aquela longa etapa, veio a cirurgia, realizada com sucesso em novembro de 2016. A conquista ocorreu depois de um período de intenso preparo psicológico e fortalecimento espiritual conduzido por Deus, nas palavras de Taiane. Ela participava ativamente das reuniões na IIGD, orando e crendo que receberia a vitória. “Em todos os cultos, apresentava ao Criador o meu tão sonhado sonho.”

A corretora, que perdeu 85 kg e passou por cirurgias reparadoras, percebe que valeu a pena esperar no Senhor. “O tempo de Deus é sempre melhor que o nosso. Hoje, posso dizer, com toda certeza, que Ele realizou o meu sonho no tempo certo. Sei que o propósito do Senhor em minha vida continuará. É Ele quem me dá forças e me mostra, diariamente, que sou capaz de superar todos os obstáculos trazidos pela obesidade”, avalia, acrescentando estar realizada por ter a saúde restaurada. “O que mais me deixa feliz nesse processo é que, por meio da minha história e do meu testemunho, posso ajudar outras mulheres na mesma situação em que estive um dia.”


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