Eventos climáticos extremos desafiam cristãos

04/08/2026

Eventos climáticos extremos desafiam cristãos

04/08/2026
Refugiados são acolhidos por igrejas: muitos deles recebem a mensagem do Evangelho pela primeira vez
Foto: Arte sobre imagem de Photo by mQ – Gerada com IA – Adobe Stock

Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé

A nova crise migratória em Ceuta – enclave espanhol autônomo do Norte da África, em frente ao território britânico de Gibraltar, situado no lado oposto do estreito – voltou a colocar a imigração no centro do debate internacional. Nos últimos dias, milhares de marroquinos tentaram cruzar a fronteira em busca de proteção e melhores condições de vida junto a autoridades da Espanha. Tanto desespero e luta por um futuro melhor reacenderam discussões sobre segurança, políticas migratórias e direitos humanos.

Vista parcial de Ceuta, enclave espanhol autônomo do Norte da África
Foto: ynos / Adobe Stock

O caso de Ceuta, entretanto, não é isolado. Segundo especialistas no tema, milhares de pessoas deixam seus países, todos os dias, com o intuito de escapar de guerras, perseguições, crises econômicas ou da fome, buscando um lugar seguro para recomeçar. Porém, se de um lado o debate público costuma se concentrar no controle das fronteiras, do outro a Igreja enxerga a oportunidade de levar esperança a quem perdeu praticamente tudo.

Essa é a realidade vivida pela missionária Elizabethe Ribeiro Cardoso, da Junta de Missões Mundiais (JMM) da Convenção Batista Brasileira (CBB). Há 30 anos no trabalho missionário, 17 deles atuando entre refugiados, ela aprendeu a enxergar além das notícias e estatísticas. “Por trás dos números, existem pessoas reais, com sonhos, medos, talentos e uma enorme capacidade de recomeçar”, declara, acrescentando que o primeiro passo para essa gente é construir conexões. “Muitas dessas pessoas perderam tudo e precisam reencontrar esperança, dignidade e um sentido para reconstruir a vida”, lembra Elizabethe, que tem bastante história para contar: passou 14 anos na Jordânia e, atualmente, está na França. Segundo ela, essa população deseja, antes de tudo, ser tratada com respeito. “O maior sonho da maioria dos refugiados não é viver na Europa, é voltar para casa quando houver segurança. Ninguém abandona sua terra por vontade própria”, garante.

A missionária Elizabethe Ribeiro Cardoso garante: “Ninguém abandona sua terra por vontade própria”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Na Cidade do Cabo, o Pr. Rodrigo Santos, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) na África, acompanha, há seis anos, cerca de 300 refugiados oriundos de países vizinhos da África do Sul. Muitos vivem há tempos em tendas e perderam, em um incêndio recente, o pouco que ainda tinham. Segundo ele, a IIGD leva alimentos e roupas àquelas pessoas e realiza cultos nos locais em que estão alojadas. “Deus nos deu a oportunidade de pregar o Evangelho para várias nações de maneira simultânea. Não levamos apenas suprimentos materiais, procuramos oferecer também o alimento espiritual.”

O Pr. Rodrigo Santos (na foto, entregando marmitas) explica: “Não levamos apenas suprimentos materiais, procuramos oferecer também o alimento espiritual”
Foto: Arquivo pessoal

Em Boa Vista (RR), porta de entrada de venezuelanos no Brasil, o Pr. Eric Dias, líder estadual da Igreja da Graça em Roraima, atua, desde 2019, no acolhimento aos refugiados daquele país, situado na costa norte da América do Sul. “Como muitos deles seguem para outros estados após a triagem, o contato nem sempre é duradouro, mas já produziu conversões e batismos”, informa Dias.

Ao falar das pessoas refugiadas, o Pr. Eric Dias lembra: “Elas precisam ser acolhidas com amor, de modo que consigam encontrar quem compreenda seu sofrimento e tenha paciência com as diferenças culturais”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

O ministro da IIGD ressalta que esse trabalho assistencial e evangelístico exige sensibilidade diante de quem chega com fome, marcado pela pressão política e pelo medo. “Essas pessoas estão fugindo da morte. Elas precisam ser acolhidas com amor, de modo que consigam encontrar quem compreenda seu sofrimento e tenha paciência com as diferenças culturais. Com a Palavra de Deus, isso vai se tornando possível”, conclui Dias.

Em Boa Vista (RR), o trabalho missionário da IIGD alcança venezuelanos que buscam um novo começo de vida
Foto: Arquivo pessoal

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