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O Rev. John Jasper superou a escravidão e marcou a história do cristianismo nos EUA com sua dedicação ao Evangelho

Foto: Gemini IA sobre foto de James Jefferson Pipkin / Wikimedia CC – modificada por IA

Por Patrícia Scott*

Em meio ao regime escravagista dos Estados Unidos, o Rev. John Jasper (1812-1901) percorreu um caminho extremamente desafiador, no qual conseguiu deixar a sua condição de pessoa escravizada, para assumir uma posição de destaque entre os pregadores mais conhecidos do século 19. Fazendo parte de uma sociedade que restringia severamente os direitos da população negra, ele encontrou, na fé cristã e no estudo da Bíblia, os instrumentos que transformaram a sua vida e influenciaram milhares de indivíduos ao seu redor. Embora tivesse sido privado do acesso formal à educação, Jasper aprendeu a ler e escrever com a ajuda de outro escravizado. Alfabetizado, conseguiu se aprofundar nas Escrituras Sagradas ao desenvolver uma impressionante capacidade de memorizar textos bíblicos.

Filho de Philip Jasper e Tina Jasper, ambos escravizados, John Jasper nasceu em 4 de julho de 1812, no Condado de Fluvanna, na Virgínia (EUA). Era o caçula de uma família com 24 filhos. Seu pai, que pregava em uma Igreja Batista negra rural, faleceu dois meses antes de seu nascimento. Durante a infância e a juventude, John viveu sob o domínio da família Peachey, proprietária da fazenda onde seus pais trabalhavam. Ele foi vendido e alugado para diferentes proprietários ao longo da vida, realizando várias atividades em plantações, minas de carvão, fábricas e armazéns de tabaco em diversas regiões do país.

Templo da Sexta Igreja Batista do Monte Sião, em Richmond
Foto: Virginia Department of Historic Resources

Em 1838, casou-se com Elvy Weaden, em Williamsburg. Mas, na mesma noite do casamento, foi enviado para Richmond, capital da Virginia, contra sua vontade, e nunca mais recebeu autorização para reencontrar a esposa. No ano seguinte, em 4 de julho de 1839, aos 27 anos, durante as comemorações do Dia da Independência dos Estados Unidos, viveu uma experiência de conversão a Cristo que mudaria a sua história. Convencido de que Deus o chamara para anunciar o Evangelho, passou a dedicar-se intensamente à fé cristã. Em 1840, apresentou seu testemunho à Primeira Igreja Batista da cidade. Um ano depois, acompanhou um grupo de membros negros que deixou a congregação para formar a Primeira Igreja Batista Africana da região e ali foi batizado, em 9 de janeiro de 1842. Casou-se de novo em 1844, com Candus Jordan, e teve nove filhos. Divorciaram-se após quase duas décadas de união, devido ao ciúme de Candus. Em 1863, formalizou sua união com Mary Ann Cole, mas não tiveram filhos. Após a morte dela, em 1874, permaneceu viúvo durante quase 20 anos, até contrair matrimônio com Mary Cary, em 1892.

Ministério frutífero – Sua reputação como pastor e evangelista não parava de crescer. Suas pregações simples atraíam grandes públicos para cultos, reuniões evangelísticas e cerimônias fúnebres. Mesmo sem formação teológica formal, conquistou respeito por sua capacidade de interpretar e transmitir as Escrituras Sagradas. No final da década de 1850, John Jasper foi escolhido pela Richmond African Baptist Missionary Society para representar a entidade em encontros do Conselho de Missão Estrangeira realizados em St. Petersburg, no estado da Virgínia. Além de participar das reuniões, entregava as ofertas arrecadadas pelas igrejas negras locais para apoiar projetos missionários na África.

Durante mais de 20 anos, vivendo sob a escravidão, ele percorreu cidades e comunidades de fé anunciando o Evangelho. Quando pregava fora de Richmond, as congregações contribuíam financeiramente para compensar o seu proprietário pelo período em que John ficava afastado de suas atividades de trabalho.
Jasper também evangelizou soldados durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), e, por isso, ao fim daquele conflito – e com a abolição da escravatura, também em 1865 –, sua influência aumentou ainda mais, levando-o à liderança da Terceira Igreja Batista Africana, em St. Petersburg.

Dois anos depois, ele fundou a Sexta Igreja Batista do Monte Sião, em Richmond. Sob seu comando, a congregação se tornou um dos principais centros religiosos da população negra da cidade. Além dos cultos, a igreja promovia iniciativas educacionais e sociais de apoio comunitário. Na década de 1880, a igreja já reunia mais de 2.400 membros, figurando entre as maiores da região. A fama de Jasper alcançou dimensão nacional graças ao seu sermão The Sun do move (O Sol se move), apresentado pela primeira vez em 1878, com base principalmente no texto de Josué 10.12-14, que relata a interrupção do movimento do Sol durante uma batalha dos israelitas contra os amorreus, em Gibeão. O sermão se tornou extremamente popular e foi repetido 273 vezes em diferentes cidades norte-americanas e também em igrejas de Londres e Paris. Em encontros campais, aos domingos, Jasper chegava a batizar até 300 pessoas.

Ativo no ministério até os últimos dias de vida, John Jasper morreu, aos 88 anos, em 30 de março de 1901, poucos dias após pregar seu último sermão, e foi enterrado no Cemitério Woodland. Depois de 125 anos, a igreja que fundou continua de portas abertas, seu exemplo de perseverança, fé e liderança é lembrado, e sua história – de um homem escravizado que superou barreiras e se tornou uma das personalidades cristãs mais respeitadas nos EUA – continua mais viva do que nunca. (*Com informações de Wikipédia, Biblioteca da Virgínia, Baptist Press e Find a Grave)


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