
Cidade-santuário
06/03/2026
A SAGA DE SARA E ANA
Quando Deus chamou Abrão para deixar a terra em que vivia e seguir com a família rumo a um lugar que lhe seria mostrado, o patriarca não hesitou, mas cumpriu a ordem divina (Gn 12.1-7). Seu pai, Tera, tempos antes, havia se mudado com a sua parentela para Harã: E tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali (Gn 11.31). Sendo uma família patriarcal, Abrão sujeitava-se ao seu pai, embora já fosse próspero naqueles dias e tivesse a própria família. Abrão, que já era um grande fazendeiro, partiu levando servos, servas e demais possessões.
Permaneceram um bom tempo em Harã, onde seu pai morreu. Ló, neto de Tera, estava sob os cuidados de Abrão desde que seu pai morrera ainda em Ur. Abrão cria na promessa do Senhor de que Sara seria mãe de filhos, mas nenhum ainda havia nascido. Um dia, Sara se cansou e deu sua concubina ao esposo para gerar o herdeiro (Gn 16). Assim, nasceu Ismael, filho da concubina egípcia, o qual ficou com a família de Abrão durante 13 anos (Gn 17). Deus dissera a Abrão que Ismael não era o filho prometido e Sara ainda lhe daria o herdeiro.

A promessa do filho se cumpriu quando Abraão tinha 100 anos e Sara, 90 (Gn 21.1-7). Ela voltou a ser jovem e capaz de gerar seu filho. Nasceu Isaque, o herdeiro!
Quando a fome o levou ao Egito, Faraó ouviu falar de Sara, a princesa muito bela. O rei do Egito, então, mandou que a pegassem e a preparassem para ele se casar com ela. Sara se submeteu ao ritual, mas o casamento não aconteceu, pois Faraó a devolveu a Abraão (Gn 12.10-20). Tempos depois, o rei de Gerar, ao ver a beleza de Sara, também quis tomá-la como esposa, mas o Senhor agiu: Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite e disse-lhe: Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ela está casada com marido. Mas Abimeleque ainda não se tinha chegado a ela; por isso, disse: Senhor, matarás também uma nação justa? (Gn 20.3,4). Quanta provação!
A promessa do filho se cumpriu quando Abraão tinha 100 anos e Sara, 90 (Gn 21.1-7). Ela voltou a ser jovem e capaz de gerar seu filho. Nasceu Isaque, o herdeiro!
A ANGÚSTIA DE ABRAÃO – Por décadas, Abraão carregou seu sobrinho Ló, ensinando-lhe a ser fiel a Deus e a cuidar dos seus animais. Com o tempo, o tio o incentivou a ter sua própria fonte de renda. Um dia, começaram a falar sobre o caráter que o sobrinho estava desenvolvendo, o qual não era bom. Os pastores de Ló brigavam com os do tio, e o rapaz nada fazia a respeito. Saber disso fez Abraão ficar angustiado. O patriarca orou, expôs o assunto ao Senhor e não demorou a ter uma boa ideia. Abraão procurou o sobrinho, dizendo que a situação não era boa e propôs a separação. Caso Ló fosse para um lado, ele iria para o outro. Abraão deu-lhe o direito de escolha, e Ló concordou.
Abraão deixou claro que seguiria a direção oposta à escolhida por seu sobrinho. Ló, após examinar os dois lados, decidiu ir para o leste (Gn 13.1-13). Movido pela cobiça, ele optou por essa região, porque a terra de Sodoma e Gomorra era bem regada e oferecia pastos verdejantes para os rebanhos, boas colheitas e oportunidades de prosperidade. No entanto, a Bíblia declara que os habitantes de Sodoma eram extremamente pecadores diante de Deus. Esse detalhe, porém, não importou para a decisão de Ló. Ele preferiu ir para lá, recebeu a bênção do tio e partiu. Não deve ter sido fácil para Abraão perceber a cobiça nos olhos do sobrinho, mas se contentou em permanecer nas montanhas e continuar a sua jornada. Com o tempo, Ló enriqueceu e tornou-se uma figura importante entre os sodomitas. Entretanto, chegou o dia em que a justiça divina se manifestou. Por causa da maldade dos seus habitantes, o Senhor decidiu destruir todo aquele território (Gn 18 e 19). Ló ficou boquiaberto, e os anjos do Senhor tiveram de convencê-lo a deixar a cidade. Os seus rebanhos, os pastores brigões e tudo o que Ló conseguira em anos de duro trabalho ficaram para trás. Choveu fogo e enxofre e queimou tudo! Ele, sua mulher e as duas filhas saíram somente com a roupa do corpo. Adiantou a sua atitude gananciosa? Deus destruiria aquelas cidades, caso seus moradores não se arrependessem. De igual modo, haverá a destruição da Terra (Lc 17.28-30).

Abraão procurou o sobrinho, dizendo que a situação não era boa e propôs a separação. Caso Ló fosse para um lado, ele iria para o outro. Abraão deu-lhe o direito de escolha, e Ló concordou
Abraão angustiou-se com a briga dos pastores de Ló com os seus. Depois, Ló até tentou pregar a Palavra para aqueles pecadores, mas, no seu coração, não havia fé, e sim ambição desmedida. Se tivesse escolhido ir para o oeste, para onde o tio foi forçado a ir, Abraão teria levado os sodomitas a servir a Deus, visto ser um homem cheio de fé e despido de maldade. A nossa fé em Deus vem por ouvirmos a Sua Palavra, mas, primeiro, habitou em Abraão (Rm 10.17; Gl 3.6-9). Ló pensava que podia ganhá-los para a fé real, mas eles o rejeitaram: Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro, este indivíduo veio aqui habitar e quereria ser juiz em tudo? Agora, te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o varão, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta (Gn 19.9).
Ló só não morreu nessa investida contra ele, porque os anjos do Senhor usaram o poder divino para guardá-lo. Ele se dirigiu para aquela região com rebanho, ouro e prata e ali prosperou bastante, mas saiu sem nada. Até sua mulher, que não era obediente a Deus, não fez caso da advertência angelical e olhou para trás, transformando-se em estátua de sal. Suas filhas deviam ter saudade dos pecados de Sodoma, pois logo deram vinho ao pai, coabitaram com ele e tiveram cada uma um filho. Eles se multiplicaram e formaram duas nações, moabitas e amonitas, que praticaram o mal contra os descendentes de Abraão (Gn 19.30-38). Quanto a Abraão, ele viu a promessa do Senhor ser cumprida na sua vida e deu a Ele um povo valente e vitorioso em tudo!

Ló ficou boquiaberto, e os anjos do Senhor tiveram de convencê-lo a deixar a cidade. Os seus rebanhos, os pastores brigões e tudo o que Ló conseguira em anos de duro trabalho ficaram para trás. Choveu fogo e enxofre e queimou tudo! Ele, sua mulher e as duas filhas saíram somente com a roupa do corpo
A ANGÚSTIA DA ESTÉRIL – O milagre operado em Ana foi magnífico (1 Sm 1). Elcana era casado com duas mulheres, algo comum naqueles dias: Penina e Ana. A primeira tinha filhos, mas a segunda era estéril. Essas mulheres simbolizam duas igrejas: Penina aponta para a do Antigo Testamento, marcada por uma vida carnal, enquanto Ana representa a do Novo Testamento, que só poderia gerar filhos para Deus mediante a ação do Espírito Santo. Por essa razão, Ana era provocada por Penina. Porém, sendo uma mulher espiritual, chegou o dia em que Ana sentiu o desejo de entrar no tabernáculo e clamar ao Senhor, pedindo filhos. Enquanto orava, foi observada pelo sumo sacerdote da época, que testemunhou o momento de entrega dela.
Antes disso, Elcana, ao ver a esposa angustiada, tentou socorrê-la, mas a ajuda do homem é pequena e vã. A de Deus, entretanto, é poderosa: Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos? (1 Sm 1.8). Ana o ouviu, entrou na Casa de Deus e suplicou: Então, Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló; e Eli, o sacerdote, estava assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do SENHOR. Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente (v. 9,10). Ela sentiu a presença do Altíssimo, assim como, em oração, também sentimos a Sua presença. Sabemos que Deus ouve o nosso clamor e atende ao nosso pedido. Ana chorou abundantemente e percebeu que receberia a vitória!

Porém, sendo uma mulher espiritual, chegou o dia em que Ana sentiu o desejo de entrar no tabernáculo e clamar ao Senhor, pedindo filhos. Enquanto orava, foi observada pelo sumo sacerdote da época, que testemunhou o momento de entrega dela
Ana, então, fez um voto a Quem acabaria com a sua vergonha. Nada de pedir e pedir e não fazer um voto ao Senhor! Com toda paciência e prudência, ela colocou diante dEle a sua petição: E votou um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha (v. 11). Enquanto isso, algo despertou a curiosidade de Eli, visto que ela nenhuma palavra emitia, apenas mexia os lábios sem som, orando de modo introspectivo. Nesse momento, Eli a tomou por embriagada, mas o que importava a ela era apenas sair com a resposta.
Ana sabia que a batalha ainda não estava ganha, pois faltava o testemunho de Eli, o que seria um bom caminho para terminar a sua luta: E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o SENHOR, Eli fez atenção à sua boca, porquanto Ana, no seu coração, falava, e só se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz; pelo que Eli a teve por embriagada (v. 12,13). E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti o teu vinho (v. 14). Ana não se assustou nem levou a repreensão dele como uma ofensa, pois estava entregando a Deus o que Ele lhe tinha revelado: usaria seu filho para ser o sucessor daquele sacerdote. Ela respondeu com educação e sinceridade: Porém Ana respondeu e disse: Não, senhor meu, eu sou uma mulher atribulada de espírito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido; porém tenho derramado a minha alma perante o SENHOR. Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque da multidão dos meus cuidados e do meu desgosto tenho falado até agora (v. 15,16). Ana voltou para casa satisfeita com o que o Senhor fez. Além de Samuel, ela teve outros cinco filhos.
Em Cristo, com amor,
R. R. Soares


