Christmas Evans superou limitações físicas e acadêmicas e se tornou um dos maiores pregadores do País de Gales

20/10/2026

Christmas Evans superou limitações físicas e acadêmicas e se tornou um dos maiores pregadores do País de Gales

20/10/2026

Especialistas lembram que a fé afasta o temor da morte e produz a esperança da vida eterna

Foto: sxcd / Adobe Stock

Por Victor Rodrigues

O medo da morte é considerado um sentimento comum e natural da experiência humana, de acordo com especialistas de diversas áreas do conhecimento, como Medicina, Neurociências e Psicologia.Porém, estudiosos afirmam que, quando essa preocupação se torna excessiva e interfere na rotina, pode caracterizar a tanatofobia – termo originado das palavras gregas thanatos(morte) e phobos (medo) –, transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos, insônia e crises de pânico, além de manifestações físicas (taquicardia, falta de ar, sudorese excessiva, náuseas, tremores e palpitações). Indivíduos que sofrem desse quadro evitam, a qualquer custo, falar do assunto. Uma pesquisa do Studio Ideias, encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (SINCEP), indica que o fim da vida é considerado tabu por 73% dos brasileiros. O levantamento revela ainda que 82,4% dos entrevistados acham que não há nada mais sofrido que a dor da perda de alguém, e 30% têm pavor de morrer.

Mensagem de conforto – De acordo com a Bíblia, entretanto, a morte é compreendida a partir da veracidade da vida eterna. Para pensadores, como Agostinho de Hipona (354-430), mais conhecido como Santo Agostinho, a morte não representa o fim absoluto nem o mal supremo, já que é compreendida como a separação temporária entre corpo e alma. Para aqueles que estão em Cristo, não há o que temer, uma vez que há a expectativa da vida eterna e a comunhão plena com Deus. Não sem motivo, o Missionário R. R. Soares escreveu, em seu livro Morte: para onde iremos? (Graça Editorial), que o cristão não deve ter medo de morrer, pois o Mestre triunfou ao terceiro dia (Mt 16.21) e assegurou a salvação aos crentes. A morte é uma dura realidade, mas nós temos Alguém que a venceu: Jesus. Ele é a Vida que nos garante uma eternidade de paz e segurança. Em Adão, todos fomos condenados à morte espiritual; em Cristo, porém, somos vivificados (1 Co 15.22), escreveu o autor.

De acordo com o psiquiatra Tiago Oliveira, do ponto de vista médico, a constituição biológica do ser humano traz consigo instintos básicos, como fome, sede e autopreservação. Ele esclarece que o organismo é dotado de instinto de sobrevivência e dispara sinais de alerta diante de situações que possam ameaçar a integridade física e a própria existência. Assim, ao lidar com a inevitável finitude, ensina Oliveira, o corpo reage com tensão e desconforto. “A aflição diante do desconhecido gera ansiedade por se tratar de uma realidade que ainda não foi experimentada”, observa, acrescentando que, além do sofrimento relacionado à forma de morrer – por doença ou acidente –, o indivíduo sente o temor da separação dos entes queridos e, ao mesmo tempo, nutre a preocupação com o bem-estar dos familiares, em especial os mais vulneráveis.

Agostinho de Hipona (354-430)
Foto: sharafmaksumov / Gerado por IA / Adobe Stock

O especialista, porém, lembra: o Evangelho é uma mensagem de conforto e um convite para que as pessoas recebam aquilo que já foi conquistado pelo Salvador na cruz do Calvário. No entanto, diante do receio da morte, Oliveira opina ser necessária uma orientação prática para ajudar qualquer indivíduo a lidar de maneira mais saudável com o fim da existência – uma certeza universal. “Refletir sobre a própria finitude pode ser uma experiência saudável e muito edificante. A consciência da própria morte traz um valor diferente para a vida, realinhando prioridades e valores”, recomenda ele, alertando para a necessidade de cautela. “A mente pode ser afetada por aquilo que ocupa os pensamentos, seja real, seja imaginário. Então, é importante manter a perspectiva de esperança apresentada pelo Evangelho e alimentar a nossa mente com o fundamento da vitória sobre a morte, que já é uma realidade testificada na ressurreição de Cristo”, adverte.

O psiquiatra Tiago Oliveira recomenda: “Refletir sobre a própria finitude pode ser uma experiência saudável e muito edificante. A consciência da própria morte traz um valor diferente para a vida, realinhando prioridades e valores”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Na opinião do geriatra Rubens Pertecarrari Jr., o envelhecimento pode modificar significativamente a forma como um indivíduo encara a própria finitude, tendo em vista que a ideia do término existencial é algo que angustia o ser humano com o passar dos anos. Ele cita, por exemplo, uma estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual aponta que mais de 1 bilhão de pessoas vive com transtornos mentais no mundo, sendo a ansiedade e a depressão as condições mais prevalentes, devido justamente à incerteza em relação ao futuro. “O trabalho científico The good life (A boa vida), da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o qual buscou descobrir o que daria mais qualidade de vida às pessoas, concluiu que seriam os relacionamentos familiares e sociais.”

O médico, especializado na promoção da saúde, prevenção, no diagnóstico, tratamento e na reabilitação ligados ao processo de envelhecimento, pondera que, com o avanço da ciência e da tecnologia, as expectativas relativas à longevidade são muito mais positivas. Pertecarrari lembra que os medicamentos, em geral, estão cada vez mais modernos e baratos, os exames, mais acessíveis, e a tendência é que as descobertas científicas ocorram em ritmo acelerado e exponencial. “Quando olhamos para as crianças que hoje ainda são bebezinhas, fazemos essa constatação. Desse modo, é importante manter o ânimo e incentivar uns aos outros, resgatando a boa e velha prática cristã: o amor ao próximo”, pontua.

O geriatra Rubens Pertecarrari Jr. pontua: “É importante manter o ânimo e incentivar uns aos outros, resgatando a boa e velha prática cristã: o amor ao próximo”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Calmaria – Na visão da Pra. Mônica Terrigno, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Centro de Mesquita (RJ), sentir certa apreensão diante da morte não significa, necessariamente, demonstrar falta de fé. O problema, segundo ela, está em permitir que esse medo se torne maior do que a confiança no Todo-Poderoso. “A Bíblia não nos chama a fingir coragem, mas a confiar no Pai. Enquanto vivermos, nossa missão é permanecer fiéis a Ele”, ensina a ministra, frisando que, na maioria das vezes, as pessoas não têm receio apenas de morrer, mas do que significa esse evento terminativo. “A melhor maneira de vencer essa insegurança é vivenciar bem o presente. Quem anda diariamente com o Mestre encontra tranquilidade para viver, sem nada a temer.”

A Pra. Mônica Terrigno ensina: “A Bíblia não nos chama a fingir coragem, mas a confiar no Pai. Enquanto vivermos, nossa missão é permanecer fiéis a Ele”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

A pregadora aconselha que o crente em Jesus dedique um tempo diário de oração e de reflexão sobre o Texto Sagrado como meio de fortalecer sua certeza na segurança do Altíssimo e na promessa registrada nas Escrituras: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá (Jo 11.25,26). “O Senhor conhece a nossa humanidade e não nos ama menos por causa das nossas fragilidades. Se o medo existe, transforme-o em oração. Para quem está em Cristo, morrer não é o ponto final, mas, sim, a passagem para a vida eterna.”

Para o Pr. SergioJunger, líder da Igreja Batista Alpha, em Carapina, na cidade de Serra (ES), a fé não anula a condição humana de finitude, mas oferece firmeza e calmaria em meio ao turbilhão de emoções da existência. Ele defende a ideia de que a ansiedade e a insegurança em relação à morte podem refletir a vulnerabilidade e a imperfeição humanas, sem, entretanto, significar descrença no Criador. “Em geral, a maturidade cristã não consiste em negar o medo, mas em acreditar que a esperança fundamentada nEle é maior e, ao longo da caminhada, aprender a não se apegar excessivamente às coisas terrenas.”

Foto: Tryfonov / Adobe Stock

Na opinião do ministro batista, é preciso recordar os ensinamentos bíblicos que oferecem refrigério àqueles que temem a separação dos entes queridos. “Um desses textos, bastante conhecido, é um recado muito direto de Cristo: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas (Jo 14.1,2)”, cita Junger, destacando também as palavras do apóstolo Paulo aos Tessalonicenses sobre a certeza que aqueles que morreram em Cristo devem ter sobre o reencontro na glória: Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança (1 Ts 4.13). “As igrejas precisam abordar o tema da eternidade de maneira contínua, e não somente em momentos de luto. Por meio do discipulado bíblico e de um cuidado pastoral acolhedor, é possível preparar os membros para lidar com a morte com esperança, em vez de desespero e medo.”

O Pr. Sergio Junger sugere: “As igrejas precisam abordar o tema da eternidade de maneira contínua, e não somente em momentos de luto”
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Por sua vez, o Pr. Wagner Escatamburgo, da Igreja Assembleia de Deus – Ministério Vale das Virtudes, em Jardim Trianon, na cidade de Taboão da Serra (SP), esclarece que o pavor diante do fim da vida faz parte da natureza humana, mas, exatamente por isso, Cristo destruiu aquele que tinha o poder do império da mortandade, o diabo, e libertou os que estavam sujeitos à sua escravidão (Hb 2.14,15). Segundo o ministro assembleiano, o pânico da morte demonstra, sem margem de dúvida, a consequência do pecado cometido no jardim do Éden (Gn 3.1-24), e, por isso, o cristão ainda luta contra a fraqueza da carne, inclusive as emoções inerentes ao ser humano. O pastor revela então qual é o “segredo” para vencer esse medo. “A fé genuína se manifesta na capacidade de confiar no Eterno mesmo estando amedrontado, revelando, assim, onde está firmada a nossa esperança. Daí, a importância de orar para fortalecer o coração.”

O Pr. Wagner Escatamburgo lembra: “A fé genuína se manifesta na capacidade de confiar no Eterno mesmo estando amedrontado, revelando, assim, onde está firmada a nossa esperança”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Escatamburgo lembra que o Senhor nunca quis que Seus servos fossem emocionalmente insensíveis ou que fossem proibidos de manifestar sentimentos. O líder assembleiano recorda que muitos personagens bíblicos fugiram diante do perigo, esconderam-se e expressaram seus temores, entre eles o rei Davi e o profeta Elias. “Sentir medo não é pecado. O temor evidencia a fragilidade do ser humano”, observa o pastor, esclarecendo que permanecer fiel ao Senhor durante períodos de apreensão é uma demonstração de maturidade espiritual. “Para o crente, é fundamental destacar: a morte não é o fim. Pelo contrário, é o início da verdadeira vida em Cristo. A Bíblia exorta-nos a não encarar a morte com medo. Devemos estar firmados nas promessas do Altíssimo, para que possamos repetir, com convicção, as palavras de Paulo: Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho (Fp 1.21)”, conclui.

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