
Adoção: compromisso que exige acolhimento, cuidado, amor e fé
05/03/2026
Foto: naka / Adobe Stock
Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Reclamar faz parte da vida. No entanto, quando a queixa deixa de ser pontual e se transforma em padrão, pode afetar não apenas relacionamentos, mas também o próprio cérebro e a vida espiritual. Estudos recentes da Neurociência indicam que a reclamação frequente fortalece conexões neurais ligadas à negatividade e aumenta o cortisol, o chamado hormônio do estresse, prejudicando áreas essenciais, como o hipocampo, responsável pela memória e pelo aprendizado, e o córtex pré-frontal, ligado à tomada de decisões.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
A médica psiquiatra Dra. Gabriela Serranegra, especialista em cuidado integral associado à saúde mental, conta que é preciso diferenciar o desabafo saudável da ruminação crônica. “Não é o ato de reclamar em si que vai ser algo negativo. Quando a gente reclama pontualmente, pode ter uma função regulatória. A grande questão é quando isso se torna algo repetitivo e que não direciona para a resolução de problemas”, explica a psiquiatra, alertando para o fato de que reviver mentalmente incômodos reforça circuitos ligados à irritabilidade, tristeza e frustração. “Você está fortalecendo o padrão mental negativo”, resume.
Segundo a médica, que faz parte do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), é possível treinar o cérebro para perceber as coisas de uma maneira diferente. Ela sugere que o indivíduo faça pausas conscientes antes de reagir. “A gente pode buscar soluções, controlar melhor o nosso foco atencional”, aconselha, acrescentando que o exercício da gratidão diária é algo importante. “Em vez de reclamar do dia, pense no que foi bom, nos gestos positivos, no que funcionou. Isso ajuda a ativar outros circuitos e buscar um bem-estar mais duradouro”, observa.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
A advertência científica acerca da reclamação encontra eco nas Escrituras. O Pr. Jamil Ribacki, líder estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus no Maranhão, lembra o exemplo de Israel no deserto. “Em 1 Coríntios 10.10 diz: E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor. Eles alimentaram uma insatisfação que abriu brechas e trouxe a destruição para o povo”, destaca o ministro, asseverando que há consequências físicas, mas também espirituais. “A murmuração destrói a nossa comunhão com Deus. Enquanto a pessoa não se arrepende, fica vazia da presença do Senhor”, alerta o pastor, o qual ensina que, para vencer esse comportamento, devemos seguir o exemplo do salmista. “Davi orou, dizendo: ‘Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios’ (Salmo 141.3). Nós também precisamos pedir a Deus que vigie os nossos lábios para não cairmos nesse pecado”, conclui.


