
A Reforma, 509 anos depois
27/10/2026
Por Viviane Ferreira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Especialistas são unânimes ao afirmar que, diante da morte de alguém da família, o apoio dos parentes e dos amigos e o acompanhamento psicológico ajudam a lidar com a ausência do ente querido. Líderes evangélicos concordam, mas incluem, na lista de “ajudantes”, a maior auxiliadora: a fé.

Segundo o Pr. Paulo Henrique Araújo, líder estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) na Bahia, esse cuidado com os enlutados deve começar logo após a perda e precisa se transformar em um apoio contínuo até que a família sinalize estar bem. “A igreja precisa mostrar-se presente e solidária, demonstrando compaixão pelo sofrimento da pessoa enlutada”, aconselha.
De acordo com Araújo, quando a liderança da IIGD recebe a notícia de um falecimento, imediatamente procura os familiares para oferecer ajuda e obter informações sobre a cerimônia de despedida. “Depois, mantém contato com a família, dando atenção especial às crianças e aos jovens”. O ministro lembra que a fé em Cristo não impede ninguém de sentir tristeza diante da morte. “No entanto, a Palavra de Deus nos oferece esperança para enfrentar o luto.”

Além da saudade, a perda também pode trazer dificuldades que nem sempre são percebidas por familiares e amigos. É o que explica a psicóloga Renata Monteiro, especialista em Neurociência. “O sofrimento pode alterar o sono, o apetite e a memória, além de prejudicar a concentração e a disposição para atividades cotidianas. É importante compreender que o luto não tem um prazo determinado e que cada pessoa vivencia esse processo de maneira única.”
Segundo a psicóloga, quando a pessoa começa a se isolar, deixando de realizar suas atividades ou apresentando sofrimento intenso e persistente, é importante procurar acompanhamento profissional. “Buscar ajuda não significa demonstrar incapacidade de superar a dor, mas reconhecer que existem momentos em que precisamos de suporte para assimilar a perda, ressignificar a experiência e reconstruir a vida emocional”, frisa.
Renata Monteiro, que também é pastora da Igreja da Graça, lembra que Jesus chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11.35). Para ela, essa passagem ajuda a compreender que sentir tristeza não significa ter menos fé. De acordo com a profissional, o acompanhamento espiritual e o apoio psicológico podem caminhar juntos, respeitando as necessidades de cada indivíduo. “Uma pessoa enlutada não precisa ouvir que deve ser forte o tempo todo. Muitas vezes, ela simplesmente precisa encontrar alguém que tenha sensibilidade para permanecer ao seu lado enquanto a dor é assimilada”, conclui.


