Histórias bíblicas

12/08/2026

Histórias bíblicas

12/08/2026

A importância dos pais na formação das novas gerações diante do mundo digital e das pressões contemporâneas

Foto: PencariCuan / Gerada com IA / Adobe Stock

Por Victor Rodrigues

No Brasil, de 2014 a 2025, pelo menos 61 crianças e adolescentes, entre 7 e 18 anos, morreram em decorrência de desafios on-line perigosos compartilhados em plataformas digitais. Os dados são do Instituto DimiCuida, que atua na prevenção de acidentes relacionados a práticas arriscadas na internet, um espaço cada vez mais ocupado pelo público infantojuvenil, conforme aponta a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Esse levantamento revela que 92% dos brasileiros com 9 a 17 anos estavam conectados à web um percentual que representaria em torno de 24 milhões de usuários. Segundo o estudo, o uso de redes sociais aumenta conforme a idade: 33% das crianças de 9 a 10 anos relataram utilização nos últimos 12 meses, 63% entre 11 e 12 anos, e 89% entre adolescentes de 13 e 17 anos. O YouTube é a plataforma preferida de crianças de 9 a 12 anos (mais de 70% de adesão), seguido do WhatsApp, cujo ingresso aumenta a partir dos 13 anos. Plataformas de vídeos curtos, como Instagram e TikTok, ganham relevância com o avanço da idade, enquanto redes sociais – como Facebook e X (antigo Twitter) – apresentam redução.

A psicopedagoga Cassiana Modolo Tardivo atesta: “Limites sem relacionamento se tornam barreiras e geram desconexão”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

A faixa etária pesquisada pelo Instituto DimiCuida refere-se, em grande parte, aos integrantes da Geração Alpha, formada por nascidos entre 2010 e 2024, considerados os primeiros “nativos digitais” por crescerem imersos em um ambiente tecnológico marcado pela velocidade da informação e por estímulos visuais constantes. Não sem motivo, especialistas da área da Educação – professores, pedagogos e psicopedagogos, por exemplo – alertam para a qualidade dos conteúdos consumidos por essa garotada e anteveem desafios cada vez maiores na formação dos jovens, já que o volume e a influência do que é disseminado nas redes sociais impactam diretamente o comportamento dessa geração.

Para a psicopedagoga Cassiana Modolo Tardivo, especialista em Neuroaprendizagem e Dependência Tecnológica, o problema não está na tecnologia em si, mas na ausência de mediação adulta consciente e de recursos adequados que impeçam crianças e adolescentes de serem “capturados” por mecanismos de engajamento desenhados para gerar vício digital. Ela destaca que o acesso precoce às telas como regulador emocional é um dos principais fatores de risco para a dependência virtual. “Limites eficazes precisam ser negociados, e não apenas impostos. Muitos pais, ao perceberem o excesso, impõem regras de maneira impulsiva, sem critérios ou observação do cotidiano, o que torna as medidas insustentáveis”, pondera a especialista, autora do livroResgate seu filho das telas (Editora Vida).

A dona de casa Dyana Barros (na foto, com o marido, Aleson, e os filhos Anthonny Daniel e Alef Davi) observa: “Precisamos ensinar que existe tempo para tudo: brincar, estudar, jogar futebol e ir à igreja”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Segundo Cassiana, estudos mostram que regras construídas com a participação do jovem possibilitam maior adesão do que decisões unilaterais. Assim, ela recomendatrês ações práticas que os pais podem adotar para reduzir o tempo de tela dos filhos: estabelecer horários e ambientes específicos; evitar telas durante as refeições e antes das tarefas escolares e do sono; e oferecer alternativas reais, como jogos de tabuleiro e momentos de convivência com qualidade. “É essencial revisar, periodicamente, os acordos com o adolescente e a manutenção da comunicação franca e aberta. Limites sem relacionamento se tornam barreiras e geram desconexão”, atesta.

Limite e disciplina – Na prática, a aplicação desses limites exige participação constante da família e adaptação à realidade de cada criança e adolescente.A dona de casa Dyana Barros, 26 anos, conta que tem educado os filhos – Anthonny Daniel, de dez, e Alef Davi, de quatro anos – de acordo com os valores cristãos, por meio do ensino da Palavra de Deus e da oração, buscando fortalecer a formação do caráter deles.

A administradora Charlenny Gomes (com o esposo, Reginaldo, e os filhos Jhulia Camila e os gêmeos Luiz Emanuel e Pedro Guilherme): transparência e diálogo
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Entretanto, ela testemunha que, durante o processo de recuperação de queimaduras de terceiro grau sofridas pelo filho mais velho, identificou que ele tinha acesso a informações inadequadas pelo celular. A partir dessa descoberta, ela passou a estabelecer limites e restringir determinados conteúdos, explicando a Anthonny acerca do uso consciente da tecnologia. “Precisamos ensinar que existe tempo para tudo: brincar, estudar, jogar futebol e ir à igreja”, observa, admitindo que nem sempre é fácil, mas é necessário demonstrar firmeza na educação. “Tenho a responsabilidade de conduzi-los nos caminhos do Senhor para que permaneçam firmes na fé”, sublinha a dona de casa, que congrega ao lado do marido, o eletricista Aleson Max da Silva, 32, na Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Jacintinho, Maceió (AL). “É essencial estar sempre disponível para orientar, dialogar e orar, para que o Senhor continue trabalhando na vida deles”, frisa, acrescentando que procura educar os filhos com amor, apresentando a eles os ensinamentos de Cristo e a esperança da vida eterna.

O Pr. Eric Dias prega: “A conversa aberta e franca, fundamentada nas Escrituras, é essencial para que os filhos compreendam que a orientação não se limita a regras disciplinares, porque também conduz à liberdade e à felicidade (Jo 8.32)”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Seguindo o mesmo caminho, a administradora Charlenny Gomes, 41 anos, e o esposo, o servidor público Reginaldo Rubhi Braga, 43, adotaram a transparência e o diálogo alinhados aos ensinamentos bíblicos como alicerce na criação dos filhos. Pais da estudante de Biomedicina Jhulia Camila, 21, e dos gêmeos Luiz Emanuel e Pedro Guilherme, 16, o casal relatou à Graça/Show da Fé que sempre buscou orientá-los nas situações que exigiam discernimento entre o certo e o errado, mas reconhecendo que também poderia cometer falhas. De acordo com Charlenny, quando ela e o marido percebiam que haviam agido de maneira exagerada ou inadequada, não hesitavam em pedir perdão aos filhos. Para ela, essa atitude demonstra que a autoridade está relacionada a três pilares fundamentais: responsabilidade, humildade e respeito. “Essa postura fortaleceu a confiança entre nós, principalmente durante a adolescência, fazendo com que eles se sentissem seguros para conversar conosco”, garante.

Foto: motortion / Adobe Stock

A administradora dá testemunho também de que os filhos sempre foram tratados conforme a fase de desenvolvimento em que se encontravam e receberam orientações voltadas às necessidades de cada idade. “Com o tempo, passamos a conversar mais sobre compromissos e futuro. Isso foi importante para que eles compreendessem melhor o momento que estavam vivendo”, relata Charlenny, que, assim como o marido, é membro da Igreja da Graça no Centro, em Boa Vista (RR). Na opinião dela, o diálogo constante gerou resultados positivos na relação familiar. “Hoje, percebemos que eles têm uma comunicação mais madura, entendem seus deveres e conseguem se posicionar melhor diante das situações.”

Autoridade equilibrada – De acordo com o Pr. Eric Dias, líder estadual da Igreja da Graça em Roraima, os ensinos bíblicos ajudam os pais a entenderem o comportamento dos filhos segundo a perspectiva espiritual. Para ele, durante a transição da infância para a adolescência, é preciso que os responsáveis mantenham o equilíbrio, unindo sabedoria ao diálogo e à firmeza na aplicação de correções necessárias. “A conversa aberta e franca, fundamentada nas Escrituras, é essencial para que os filhos compreendam que a orientação não se limita a regras disciplinares, porque também conduz à liberdade e à felicidade (Jo 8.32)”, prega.

O Pr. Deyvison Fidelis assegura: “A fé é um elemento essencial para a harmonia no lar. Sua ausência pode intensificar conflitos, enquanto sua presença contribui para a construção da paz mesmo em meio às dificuldades”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

O ministro destaca a importância da paciência – uma das virtudes do fruto do Espírito mencionadas em Gálatas 5.22,23 – como elemento indispensável para a escuta ativa e a condução mais assertiva da criação dos filhos. Segundo Dias, os princípios bíblicos devem orientar as escolhas e as práticas dos pais enquanto educadores. “A Palavra afirma que com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma (Pv 24.3)”, ressalta Eric, deixando claro que, sem a direção da Bíblia, muitos podem perder a esperança diante dos desafios familiares. “Por sua vez, aquele que crê persevera e se instrui por meio da pregação na igreja e da leitura da Palavra. As mensagens do Senhor renovam a confiança e fortalecem o amor familiar”, pontua.

Com a mesma compreensão, o Pr. Deyvison Fidelis, líder da IIGD em Jacintinho, Maceió (AL), observa que, hoje, muitos conflitos entre pais e filhos surgem devido ao excesso de tempo em smartphones e jogos on-line e à influência de amigos. Na opinião do ministro, ao se depararem com essas lutas, diversas famílias encontram dificuldades para impor limites e estabelecer disciplina sem que haja comprometimento do vínculo emocional. Para ele, a autoridade dos pais deve ser exercida com equilíbrio, sem atitudes autoritárias, seguindo à risca o ensinamento do apóstolo Paulo: E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6.4).

Foto: Arte de Gemini AI

Citando outra passagem bíblica bastante conhecida, Provérbios 22.6 (Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele), o Pr. Deyvison reafirma que as Escrituras Sagradas aconselham os pais a ensinarem os filhos a fazer a coisa certa e, assim, permanecer firmes na presença de Deus. “A fé é um elemento essencial para a harmonia no lar. Sua ausência pode intensificar conflitos, enquanto sua presença contribui para a construção da paz mesmo em meio às dificuldades”, assegura o pregador, lembrando que cabe aos pais o papel de conduzir os filhos no Evangelho, inclusive incentivando a ida à igreja quando houver resistência. “Como formadores morais e espirituais, devem preservar a proximidade dos filhos com o Senhor”, declara o ministro, fazendo menção à instrução de Moisés, registrada em Deuteronômio 11.18,19 (NVI): Gravem estas minhas palavras no coração e na mente; amarrem‑nas como sinal nas mãos e prendam‑nas na testa. Ensinem‑nas aos seus filhos, conversando a respeito delas quando estiverem sentados em casa e quando andarem pelo caminho; quando se deitarem e quando se levantarem.


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