
VITÓRIA GARANTIDA
12/08/2026
Conteúdos avançados
12/08/2026
Por Lilia Barros
Especialistas em Neurociência e Psicologia afirmam que manter a paz em meio às crises significa desenvolver resiliência emocional, o que envolve aprimorar a capacidade de enfrentar adversidades, adaptar-se às mudanças e recuperar o equilíbrio após períodos de estresse. Segundo eles, tal processo está relacionado à neuroplasticidade, mecanismo que permite ao cérebro reorganizar conexões e aprender com experiências desafiadoras ao longo da vida. Para muitos desses pesquisadores, pessoas resilientes tendem a evitar reações impulsivas, criam espaço para analisar situações difíceis e, assim, conseguem tomar decisões coerentes com seus princípios e objetivos.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
Os estudiosos apontam ainda outro elemento considerado básico para que uma pessoa consiga ultrapassar obstáculos com firmeza: ter uma rede de apoio. Com base em pesquisas, neurocientistas e psicólogos atestam que vínculos familiares, amizades e relacionamentos saudáveis ajudam a reduzir a sensação de isolamento, oferecem suporte emocional e auxiliam o indivíduo a encarar os problemas sob uma nova perspectiva. Eles acrescentam que, em situações críticas, o importante é concentrar esforços naquilo que pode ser controlado e direcionar a atenção para ações práticas. Além disso, destacam que, quando a pessoa aceita o fato de que determinadas mudanças são inevitáveis, há uma diminuição da sobrecarga mental e da ansiedade.
Entretanto, para a Palavra de Deus, viver em paz – mesmo diante das adversidades – significa manter a fé, buscar o Altíssimo em oração, renovar a confiança nas promessas dEle e descansar no Seu cuidado. Estudiosos das Escrituras Sagradas ressaltam que as provações não são para a destruição do crente, mas para seu crescimento espiritual (Tg 1.2,3). Não sem motivo, o apóstolo Paulo escreveu que as tribulações desempenham um papel importante na formação da fé cristã, pois produzem perseverança, a qual gera experiência e, consequentemente, fortalece a esperança (Rm 5.3,4). Diferentemente da paz do mundo, pautada na ausência de conflitos, a paz de Cristo, segundo a Bíblia, está associada à intimidade com o Todo-Poderoso, que atua como um antídoto para a aflição e a angústia em tempos de sofrimento: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (Jo 14.27). Nesse sentido, o próprio Jesus alertou: Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16.33).

Autoridade de Cristo – De acordo com o pastor e missionário David Botelho, presidente da Missão Horizontes na América Latina, a paz está relacionada àcerteza de que o Senhor permanece soberano em todas as circunstâncias. Ele salienta que a palavra paz (no hebraico, shalom) significa completude, integridade, bem-estar, saúde e prosperidade. “Representa um estado de harmonia total, que excede todo o entendimento”, explica, referindo-se ao texto de Filipenses 4.7. O líder lembra que a presença do Messias não livra o cristão das dificuldades. “As tempestades são inevitáveis. Servem para fortalecer a fé, revelando ao crente que a segurança está em Deus, e não na eliminação de tribulações”, ensina Botelho, acrescentando que a nossa esperança pode até ficar enfraquecida em determinados momentos, mas não há alteração na autoridade de Cristo sobre qualquer acontecimento. “Uma palavra do Mestre é suficiente para calar todo o caos”, observa o missionário, deixando um conselho: “Aprenda a refugiar-se onde o Altíssimo habita, em vez de focar no caos exterior, que tem um limite nas mãos do Onipotente. Olhe para Jesus e não para a magnitude da tempestade”.

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Na opinião do Pr. Ednilson Lima, líder regional da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), a confiança no Todo-Poderoso é essencial para enfrentar períodos de crise. “É possível manter a paz em meio ao caos, confiando na soberania de Deus”, garante ele. Como exemplo, o pastor cita o momento em que o barco, no qual Jesus estava com Seus discípulos no mar da Galileia, é sacudido por uma violenta e repentina tempestade (Mc 4.35-41), posteriormente acalmada por Ele. “O episódio revela que Cristo proporciona segurança mesmo quando as circunstâncias parecem estar fora de controle”, assinala, relembrando as palavras do Senhor registradas em Mateus 11.28-30: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Foto: Arquivo pessoal
O ministro assevera que a falta de fé compromete a capacidade de o cristão permanecer firme durante as lutas. “Grande parte dos crentes está adormecida”, analisa, fazendo menção ao alerta do Mestre sobre o aumento da iniquidade e o esfriamento do amor (Mt 24.12). “Se a Igreja não ensinar os fundamentos da fé bíblica e se apegar apenas a entretenimentos, teremos cristãos enfraquecidos”, declara, admitindo que desafios são instrumentos de amadurecimento espiritual e modulação do caráter.

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Cuidado divino – Na opinião do Pr. Renato Cordeiro de Souza, líder da Primeira Igreja Batista em Teresópolis (RJ), na Região Serrana, mesmo quem obedece ao Messias pode enfrentar lutas – algumas delas surgidas justamente como consequência da fidelidade a Deus. Em contrapartida, Souza faz uma constatação preocupante. Para ele, muitos cristãos apresentam maturidade espiritual limitada e demonstram ter pouco conhecimento das Escrituras e da pessoa de Jesus, o que os torna mais vulneráveis a vivenciar situações de desespero. O ministro batista destaca, entretanto, que não há motivo para viver dominado pela ansiedade diante dos contratempos, sendo necessário seguir o conselho que o apóstolo Paulo deu aos Filipenses: Não estejais inquietos por coisa alguma (Fp 4.6). “O segredo é fazer do Messias o seu confidente. A paz de Deus, que a gente não consegue explicar, dominará o nosso coração e a nossa mente.”
Ao falar com a reportagem de Graça/Show da Fé, Renato Cordeiro recordou a história de um rei que pediu aos seus sábios uma frase capaz de representar todos os momentos da vida – tanto os de sofrimento quanto os de alegria. Após refletirem, eles apresentaram ao soberano uma resposta simples: “Vai passar”. Na opinião do ministro do Evangelho, essa narrativa embute uma lição espiritual importante. “Se o crente está afundando na fé por causa da tempestade, ele precisa entender que, em algum momento, aquela agonia acabará.”

Por sua vez, o teólogo Adriano Santos observa que, quando o Espírito Santo habita no coração, a alma se enche de paz, e nenhum problema pode perturbá-la, uma vez que a mente, fixada no Pai, gera estabilidade mesmo em cenários instáveis (Is 26.3). “Portanto, nada temos a temer quanto ao futuro, a menos que nos esqueçamos da maneira como o Senhor nos guiou no passado”, pontua o estudioso, assinalando que a paz verdadeira reside na entrega total da vida ao Criador. De acordo com Santos, a serenidade do cristão nasce da convicção de que o Cordeiro está presente em todo o tempo, independentemente das circunstâncias, e acompanha cada momento de sua caminhada (Mt 28.20). “Por isso, quem tem Jesus não precisa de mar calmo para viver em paz, pois aqueles que têm o Redentor não serão vencidos pelas lutas. A provação possibilita a contemplação do Seu poder, levando-nos a perguntar, tal como os discípulos: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? (Mt 8.27).”

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Indagado sobre aqueles que estão perdendo a esperança diante das adversidades, Adriano Santos lembra que cabe à Igreja agir como Cristo, estendendo-lhes a mão com compaixão, verdade e ação prática, cumprindo aquilo que o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas: Levai as cargas uns dos outros (Gl 6.2).“O cristão deve se aproximar dos que sofrem com ternura e empatia (Mt 25.35), como fazia o Salvador. Caso contrário, o crente não terá compreendido ainda o que vem a ser o amor messiânico.”
Esse mesmo ponto de vista é compartilhado pelo Pr. Antonio Andrade de Souza, líder da Assembleia de Deus – Ministério El Shaday, em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente na angústia (Sl 46.1). Precisamos parar de procurar os gurus da fé e nos enraizar na oração, na leitura diária da Bíblia e na frequência à igreja. A guerra espiritual deve ser enfrentada com as armas espirituais”, enfatiza Souza, indicando que é necessário abraçar o fraco na fé que vive uma fase de turbulência. “É preciso orar com ele e por ele”, orienta, mencionando que, em meio a esses períodos de dor e adversidade, o indivíduo pode amadurecer e se fortalecer na Palavra.

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Na opinião do Pr. Jascenildo Nascimento dos Santos, da IIGD no bairro Ginásio, em Serrinha (BA), a sensação de medo que gera inquietude não deve ocupar espaço maior do que a fé no Senhor. Mencionando o episódio em que Pedro, sob comando do Messias, vai em direção a Ele andando sobre o mar (Mt 14.27-29), o ministro lembra que essa passagem demonstra, com clareza, que a confiança em Cristo é essencial nos momentos difíceis. “Pedro caminhava sobre as águas, mas, ao observar o forte vento da tempestade e ao desviar o olhar de Jesus, começou a afundar. Nossos olhos devem estar fixos em Cristo, Autor e Consumador da nossa fé”, assinala Santos, citando Hebreus 12.2. “Quando o inferno se levantar contra a nossa vida, devemos manter a serenidade, porque o desespero apenas dificulta a caminhada”, ensina o pastor, destacando que a verdadeira vitória nas lutas reside em buscar ao Altíssimo e permanecer fiel Àquele que nos garante paz e vida abundante.


