Mudança de perfil

23/06/2026

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Avanço evangélico na política latino-americana

O avanço evangélico amplia a influência de valores cristãos na política latino-americana
Foto: Arte de ChatGPT sobre foto de AndriiKoval / Adobe Stock

Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé

A influência de grupos cristãos sobre a política latino-americana é cada vez maior. No Brasil, a Frente Parlamentar Evangélica reúne 246 parlamentares, entre deputados e senadores, e tem exercido papel relevante nas principais votações do Congresso Nacional. Em países como Costa Rica, Paraguai e Chile, lideranças apoiadas por setores evangélicos também ganharam protagonismo nos últimos anos. Mais do que mostrar força por uma sucessão de vitórias eleitorais, o fenômeno revela uma transformação cultural que tem levado valores ligados à fé, à família e aos bons costumes para o centro do debate público na região.

O movimento chama a atenção por ultrapassar fronteiras denominacionais e nacionais. Na Costa Rica, a expressiva votação do pregador evangélico Fabricio Alvarado nas eleições de 2018 marcou um ponto de inflexão na política costarriquenha. Já no Paraguai, o presidente Santiago Peña mantém diálogo próximo com lideranças cristãs e conservadoras.

O cientista político Ricardo Caldas vê a expansão evangélica como reflexo de mudanças sociais
Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, o avanço da influência evangélica na política latino-americana está diretamente relacionado à expansão desse grupo religioso ao longo das últimas décadas. “A representação desse segmento na área política é uma consequência do crescimento do número de fiéis, que exerce forte influência no sistema político”, observa ele.

Na avaliação do estudioso, o desempenho eleitoral de lideranças ligadas ao segmento evangélico se deve também às mudanças demográficas observadas em diversos países da América Latina. “Com o declínio histórico do catolicismo, o neopentecostalismo expandiu-se rapidamente, estruturando redes locais de apoio, comunicação de massa e forte organização comunitária”, explica.

Caldas destaca ainda que o fenômeno não pode ser explicado apenas pelo viés religioso. De acordo com ele, em um contexto marcado por desigualdades sociais, insegurança e desconfiança nas instituições tradicionais, muitas pessoas passaram a buscar, nas comunidades de fé, orientação para diferentes áreas da vida. “As igrejas evangélicas oferecem mais do que apoio espiritual: dão forte acolhimento comunitário e transmitem uma visão de mundo sobre ética, moral e família”, ressalta o especialista.

Na opinião de Ricardo, a atuação desse grupo no cenário político tende a permanecer relevante nos próximos anos. “A participação política evangélica é considerada uma tendência consolidada e em expansão. O ativismo tem garantido forte poder de veto e negociação aos representantes religiosos, transformando o ‘voto evangélico’ em um fator eleitoral decisivo”, conclui.

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