
Para manter a saúde em dia
02/06/2026
Foto: Seventyfour / Adobe Stock
Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
À medida que celulares, tablets e computadores ocupam mais espaço no cotidiano de crianças e adolescentes, cresce a preocupação mundial com os efeitos da vida on-line sobre a nova geração. A discussão em torno do tema ganhou força após o Parlamento da Turquia aprovar um projeto de lei que restringe o acesso de menores de 15 anos às plataformas digitais. Iniciativas semelhantes avançam nas câmaras legislativas de países, como França e Austrália, e em alguns estados norte-americanos. Segundo observadores, tais mudanças são um reflexo direto dos desafios impostos pelo ambiente virtual a pais e responsáveis de menores de idade.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
A psiquiatra Rúbia Sousa, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência (PIA), afirma que o uso precoce e excessivo de redes sociais pode comprometer o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. “Entre os principais riscos, observamos impactos no desenvolvimento da linguagem, na capacidade de tolerar frustrações e na construção de vínculos e relacionamentos reais”, explica Sousa, acrescentando que “o excesso de exposição às telas pode favorecer sintomas de ansiedade, alterações de humor, dificuldades de atenção, entre outros.”
Embora considere importante que haja debates a respeito do assunto e da adoção de iniciativas legais, a médica também acredita que a solução para essa questão depende de um trabalho conjunto. “As leis ajudam a criar parâmetros de proteção, mas, sozinhas, não resolvem o problema. É fundamental que exista uma atuação conjunta entre família, escola, profissionais da saúde e toda a rede de cuidado da criança”, ressalta Rúbia.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
A preocupação não se limita aos impactos emocionais e comportamentais. Na visão da líder do ministério Crianças Que Vencem (CQV) de Santa Catarina, Lucineide Macedo, o uso exagerado de plataformas digitais também afeta diretamente a vida espiritual de crianças e adolescentes. “A Bíblia nos orienta: Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista (Pv 3.21 – NVI). Em nossa vida, precisamos ter moderação em tudo o que fizermos. Os excessos nunca serão bons”, observa.
Na opinião de Lucineide Macedo, a igreja até tem papel fundamental nesse processo, mas reforça que o principal desafio a ser vencido está dentro de casa. “Os mecanismos das leis podem ser burlados facilmente. Por isso, os pais precisam acompanhar, orientar e proteger seus filhos com sabedoria”, opina a líder, avaliando que, diante de uma geração cercada por telas e todo tipo de aplicativo digital, é necessário que crianças e adolescentes consigam discernir aquilo que faz bem à mente e ao coração. “Como pais, precisamos criar os nossos filhos para que conheçam a graça e o amor de Deus e saibam colocá-los em prática em suas vidas, inclusive quando se trata do uso das redes sociais.”


