Dados assustadores

19/05/2026

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O fruto do Espírito no samaritano

Mosaico “O bom samaritano”, que decora o Mosteiro de Kykkos, em Chipre
Foto: Julian / Adobe Stock
Abraão de Almeida

O fruto do Espírito no samaritano

Ao ser perguntado por um perito na Lei acerca de quem este deveria considerar o seu próximo, Jesus respondeu contando a parábola do samaritano: E disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira (Lc 10.30-37).

Note a presença do fruto do Espírito na ação do samaritano e perceba como o perito na Lei, em sua resposta ao Salvador, evitou mencionar a palavra samaritano. Quando aquele viajante avistou o homem ferido, seu coração se encheu de amor por ele. Seus compromissos perderam a prioridade, pois esta, agora, era salvar a vida daquele moribundo, independentemente de qual fosse a sua nacionalidade. Ao assumir essa disposição, ele foi tomado de alegria e, sentindo a paz de Deus invadir o seu coração, pôs em prática o mandamento divino: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22.39), enfaixando as feridas e derramando nelas vinho e óleo. Depois, o samaritano ergueu-o paciente e cuidadosamente para que não sentisse dores maiores, e, com toda a amabilidade, colocou-o sobre sua cavalgadura, seguindo bondosamente a pé, puxando o animal pelo cabresto e levando o moribundo até uma hospedaria, onde cuidou dele com fidelidade e mansidão, não revelando nenhum desagrado em tudo o que fazia. No dia seguinte, assumindo o controle de toda a situação, antecipou o pagamento ao hospedeiro e o orientou a cuidar do enfermo, afirmando que, quando voltasse, pagaria todas as despesas necessárias.

Foto: Art Stocker / Adobe Stock

Banquete espiritual – Ora, quando o profeta Isaías anunciou a vinda do Messias como o Emanuel (Is 7.14), ele não se referia apenas ao Espírito Santo, mas à Trindade. Emanuel significa mais do que Deus conosco, quer dizer Deus dentro de nós. Mas que Deus? Não apenas o Deus Espírito Santo (Gn 1.2) e o Deus Filho (Jo 1.2; Jo 8.12), mas o Deus Pai, Elohim, ou seja, o Deus coletividade (ou plural), que aparece diversas vezes no primeiro capítulo de Gênesis.

O apóstolo Paulo afirma que os dons espirituais e ministeriais são dados à Igreja com o objetivo de preparar os santos para a obra do ministério, a fim de que o Corpo de Cristo seja edificado. Até aqui, estamos vivendo nas dimensões da fé e da esperança, ao passo que, nas operações do Pai, alcançamos a dimensão do amor (1 Co 12.4-6; 13.1-13).

Em Efésios 3.14-19 e em Efésios 4.6, Paulo ensina que a paternidade de Deus é incondicional com respeito a todos os crentes, mas esclarece que as preposições sobre, por e em revelam a necessidade de certas condições. Aqui, o Espírito começa a Sua obra em nós, fortalecendo o nosso espírito com a Sua plenitude, a fim de fazer Cristo, pela fé, ocupar o Seu lugar em nosso coração. Jesus, por Sua vez, estando em nós, espera que alcancemos a plenitude dEle mediante os passos descritos nos versículos 17 a 19 de Efésios 3, para podermos desfrutar, finalmente, a plenitude do Pai: Para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

Assim, a palavra todos indica o nosso potencial. Contudo, com o propósito de alcançarmos esse imenso poder, precisamos, em primeiro lugar, decidir buscá-lo, pois cabe a nós a iniciativa. Em segundo lugar, temos de permitir que Deus faça a vontade dEle em nós. Jesus deixou isso muito claro nos evangelhos, especialmente em João. Somente na posse dessas bênçãos poderemos repetir a declaração de Paulo: Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho (Fp 1.21).

Imaginemos, então, a plenitude de Deus como um requintado banquete espiritual da fé, acompanhado do bolo da esperança, em cujo topo está a cereja do amor do Pai, o qual jamais acaba, conforme escreve o apóstolo Paulo: Agora, pois, per­ma­ne­cem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor (1 Co 13.13).

Abraão de Almeida
Pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. E-mail: abraaodealmeida7@gmail.com

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