Empreendedorismo cristão cresce no Brasil com foco em valores bíblicos
31/03/2026
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A festa da Páscoa comemorava a saída do povo de Israel do Egito e a passagem pelo mar Vermelho
Foto: Margarita Ratatosk / Gerada com IA / Adobe Stock

Por Cleber Nadalutti, especial para edição digital de Graça/Show da Fé

A Páscoa bíblica (ou judaica) simboliza passagem (pessach, em hebraico), a renovação da vida, a volta da primavera e a ressurreição de Jesus. “Para os judeus que viveram antes de Cristo, essa festa comemorava a saída do povo de Israel do Egito. Para aqueles israelitas, a Páscoa tinha o sentido de passagem ― no caso, do anjo destruidor (Êx 12.23-27) ou, segundo alguns, a passagem pelo mar Vermelho (Êx 14.27-30) ―, e prefigurava a pessoa de Cristo, sacrificado por nós, como nossa Páscoa”, lembra o Pr. Abraão de Almeida, escritor, conferencista e colunista de Graça/Show da Fé. “Como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), Jesus foi crucificado. A Páscoa bíblica consumou‑se em Cristo, que instituiu, como um novo memorial, a Sua ceia, na qual o cristão comemora a morte do Senhor até que Ele venha”, explica o autor.

A crucificação de Jesus Cristo: Seu sacrifício é a nossa Páscoa
Foto: ronniechua / Adobe Stock

Mestre em Teologia e com décadas de dedicação ao estudo da Palavra, sobretudo à Escatologia (o estudo das últimas coisas), Almeida explica que a Páscoa se infiltrou em diferentes culturas e está presente em quase todo o mundo, até mesmo onde o cristianismo não é conhecido ou em regiões nas quais as religiões pagãs constituem grande maioria. “Na sua forma pagã, a Páscoa tem origem na antiga Babilônia e já existia muitos séculos antes de Cristo. Em muitas religiões antigas, estava bastante disseminado o costume de confeccionar bolos, tortas ou pastéis em honra a seus deuses. Esses alimentos, consumidos nos rituais, carregavam os símbolos ou efígies de suas divindades, sendo a principal delas a ‘Rainha do Céu’, conhecida na Babilônia como Ishtar. A palavra easter (“páscoa”, em inglês), aparentemente, vem da deusa anglo‑saxônica da primavera, Eostre, derivada da Ishtar babilônica”, ensina o autor da coluna Falando de História, de Graça/Show da Fé.

No ritual de adoração da ‘Rainha do Céu’, ensina Almeida, seus adeptos ofereciam‑lhe fumaça sacrifical proveniente da queima de resinas, madeiras, especiarias ou gomas; derramavam licores ou vinhos no lugar do sacrifício ou à sua frente, e preparavam‑lhe bolos de oferenda com a sua imagem ou efígie. “Como deusa da fertilidade, é provável que os bolos oferecidos a ela tenham sido feitos com farinha de trigo das primeiras colheitas.”

O Pr. Abraão de Almeida lembra que “a Páscoa bíblica, portanto, consumou se em Cristo, que instituiu, como um novo memorial, a Sua ceia, na qual o cristão comemora a morte do Senhor até que Ele venha”
Foto: Arte de ChatGPT sobre foto de reprodução – modificada por IA

Segundo Abraão de Almeida, no hemisfério Norte, a festa da Páscoa corresponde ao princípio da primavera e, por isso, esse dia é festejado de acordo com os mais diferentes ritos pagãos. “Há muitos séculos, povos sírios, troianos e nórdicos reuniam‑se nos montes, ao amanhecer, a fim de celebrar a volta do sol da primavera. O ovo, significando começo, origem de tudo, abriu o caminho para outras tradições. Está presente na mitologia antiga, nas religiões do Oriente, nas tradições populares e em uma grande parte da cristandade. Segundo alguns, a tradição dos ovos na comemoração da Páscoa chegou ao Ocidente por meio do antigo Egito e, conforme outros, por intermédio de povos germânicos da região do Báltico.”

Na Idade Média, os europeus adotaram o costume chinês de enfeitar os ovos, que eram cozidos e coloridos, com os quais presenteavam os amigos na festa da primavera, como lembrança da contínua renovação de vida
Foto: urukog / Adobe Stock

Almeida acrescenta que, na Idade Média, os europeus adotaram o costume chinês de enfeitar os ovos, que eram cozidos e coloridos, com os quais presenteavam os amigos na festa da primavera, como lembrança da contínua renovação de vida. O coelho, como símbolo da fecundidade, apareceu por volta de 1215, na França, derivando‑se também dos mistérios babilônicos. Era uma mistura de mitologia pagã com a simbologia cristã paganizada, por vezes atualizada. “A partir de 1928, quando o cacau começou a ser industrializado em larga escala, os enfeitados ovos de galinha foram substituídos pelos de chocolate, continuando, assim, o antigo costume pagão de presentear, com ovos, os amigos na Páscoa.”

Pr. Abraão de Almeida: “Cristo é o Cordeiro pascal de Deus, que foi morto, mas ressurgiu a fim de reconciliar o mundo com o Criador”
Foto: Arte sobre imagem de md / Gerada por IA / Adobe Stock

Na vigência da Lei mosaica, esclarece o colunista de Graça/Show da Fé, os israelitas, ao comerem o cordeiro pascal, deveriam relembrar os fatos que culminaram na libertação de seus pais da escravidão egípcia, renovar os votos de fidelidade ao Senhor e meditar na Palavra, em especial acerca do que Moisés escreveu sobre o Messias: O Senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvires (Dt 18.15). “Esse sentido escatológico da Páscoa reflete-se nitidamente na ceia do Senhor, instituída por Jesus Cristo na noite em que foi traído, véspera do dia da Sua crucificação (Lc 22.7-20). Foi nesse momento que o Senhor Jesus Se deu a conhecer aos Seus discípulos. Cristo é o Cordeiro pascal de Deus que foi morto, mas ressurgiu a fim de reconciliar o mundo com o Criador. Nesse sentido, Cristo – a nossa Páscoa – foi sacrificado por nós (1 Co 5.7). Um sacrifício único e insubstituível”, conclui Abraão de Almeida.

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