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03/04/2026
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Palavras na infância podem definir o adulto

Palavras podem edificar ou ferir, mas, na infância, seus efeitos são mais profundos
Foto: detailblick-foto/ Adobe Stock

Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé


Palavras que ferem não deixam marcas visíveis, mas podem provocar danos profundos e duradouros. É o que aponta um estudo recente publicado na revista médica inglesa BMJ Open. Segundo a pesquisa, o abuso verbal na infância pode gerar consequências emocionais tão graves quanto as agressões físicas. O estudo demonstra que pessoas que sofreram abuso físico apresentaram aumento de 50% no risco de baixa saúde mental na vida adulta. Já entre aquelas expostas a agressões verbais, esse índice sobe para 60%, revelando o peso das palavras na formação emocional de crianças e adolescentes.

A líder do CQV do Mato Grosso, Gabriela Marta, alerta para as feridas invisíveis causadas pelo abuso verbal
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Dentro de casa, expressões duras, humilhações e críticas constantes são muitas vezes naturalizadas como forma de correção. No entanto, especialistas alertam que esse comportamento pode comprometer o desenvolvimento da criança. A psicoterapeuta e pedagoga Sandra Machado explica que “o abuso verbal na infância é frequentemente subestimado, mas seus impactos emocionais podem ser tão profundos quanto os de agressões físicas”. Para ela, palavras têm poder formador, especialmente nessa fase, em que a identidade ainda está sendo construída.

Gabriela Marta Pinto, líder estadual do Crianças Que Vencem (CQV) em Mato Grosso, lembra que a dor causada pela agressão verbal pode ser ainda mais intensa. “As feridas são invisíveis”, observa ela, destacando que crianças expostas a esse tipo de violência demonstram comportamentos marcados por insegurança e complexo de inferioridade. “Um dos piores traumas é receber ofensas de quem deveria oferecer amor”, afirma a líder, referindo-se aos pais e responsáveis.

A psicoterapeuta Sandra Machado destaca o impacto das palavras na formação emocional infantil
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

A psicóloga cristã Vivyane Tanaka recorda que a Palavra de Deus trata do assunto, abordando justamente o impacto das palavras que saem da nossa boca. “Em Tiago 3.9-10, está escrito: Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim”, cita a especialista, reforçando a ideia de que o texto bíblico evidencia a responsabilidade no uso das palavras, especialmente dentro do ambiente familiar, no qual são formados os valores e a identidade do indivíduo.

A psicóloga infantil Vivyane Tanaka reforça os efeitos do ambiente familiar na construção da autoestima
Foto: Arquivo pessoal

Ela reforça a ideia de que os efeitos são claros. “Crianças que crescem em um lar hostil, onde abusos psicológicos são frequentes, trazem uma imagem distorcida de si e desenvolvem a crença de que não são capazes, além de muitos outros prejuízos psicológicos”, alerta Tanaka, profissional especializada no atendimento de crianças e adolescentes.

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