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A verdadeira liberdade
O apóstolo Paulo conclui a sua lista do fruto do Espírito (Gl 5.22,23) com uma retumbante declaração: Contra essas coisas não há lei. Mas, querido leitor, à que lei ele está se referindo? À Lei de Moisés? À Lei dos Dez Mandamentos? À lei da nossa consciência? Não! Ele está falando de lei (nomus, no grego) em um sentido geral – sem a presença de artigo. Isso porque nenhuma lei pode se sobrepor ao fruto do Espírito Santo!
Ligada ao mandamento de Jesus – que nos ensinou: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22.39) –, essa mesma lei nos é apresentada pelo apóstolo Tiago: Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis (Tg 2.8). É a lei do Reino, por ser Cristo o nosso Rei. Na mesma carta, Tiago escreve: Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito (Tg 1.25).

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Foto: Arte sobre imagem de Mophart / Adobe Stock com IA de ChatGPT
A conclusão do apóstolo é que o servo de Deus será bem-aventurado naquilo que fizer. Ele deixa claro que, fazendo a vontade de Deus, a pessoa será feliz até nas circunstâncias mais difíceis, pois essa prática traz a verdadeira liberdade – até mesmo para morrer em uma fogueira por amor a Cristo, como aconteceu com o teólogo e reformador tcheco João Hus (1369-1415), o tradutor da Bíblia em inglês William Tyndale (1494-1536) e o bispo anglicano Hugh Latimer (1487-1555), só para citar alguns heróis da fé.
Nosso Senhor Jesus, pelo fato de ter vivido de modo pleno o fruto do Espírito, recebeu uma rejeição plena. Ele foi rejeitado: 1) pelo Seu próprio mundo (Jo 1.10); 2) pela Sua própria nação (Jo 1.11; Mc 6.4); 3) pela Sua própria cidade (Lc 4.29); 4) pelos Seus próprios parentes (Jo 7.5); 5) pelos Seus líderes, anciãos, sumo sacerdotes e escribas (Lc 9.22); 6) pelos Seus próprios discípulos (Mc 14.50 ).
A rejeição sofrida pelo Salvador revela a Sua submissão plena à vontade do Pai. O apóstolo Paulo escreveu a respeito, lembrando-se das consequências de ser nascido de novo: E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições (2 Tm 3.12). É o que acontece, por exemplo, com os cristãos de países hostis ao Evangelho. Por defenderem a sua fé, eles sofrem constantemente uma perseguição cruel.
É a essa lei que Paulo se refere em Romanos 8.2 (a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus), que são aquelas virtudes mencionadas em Gálatas 5.22,23, colhidas no crente como o fruto do Espírito. Se Jesus está em nós quando vivemos na segunda dimensão da fé cristã, é claro que o Espírito Santo colherá em nós o fruto dEle, do Espírito. Todavia, se não estivermos arraigados e alicerçados no amor do Pai, se não compreendermos a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e se não conhecermos o amor de Cristo que excede todo o entendimento, esse fruto estará aquém do padrão divino.
Sendo assim, o fruto do Espírito só estará perfeitamente maduro na plenitude de Cristo, pois é Ele que nos enche da plenitude do Pai, e Este, por sua vez, manifesta em nós as Suas realizações.

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A vontade de Deus comprovada – Ainda em sua carta aos Romanos (Rm 12.1,2), Paulo, tendo em mente o mesmo fruto do Espírito, diz que devemos oferecer os nossos corpos a Deus em sacrifício vivo, santo e agradável a Ele, que é o nosso culto racional – a maneira correta de O adorarmos. O apóstolo afirma ainda que não podemos nos conformar com este mundo, pelo contrário, devemos buscar ser transformados pelo Senhor, tendo a renovação do nosso entendimento para que, dessa maneira, sejamos capazes de experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
A expressão experimentar está traduzida em outras versões por provar ou discernir, deixando claro que a vontade de Deus é boa porque exige somente o que é essencial e imutavelmente bom; agradável porque contrasta com tudo o que é arbitrário, exigindo unicamente o que goza da complacência do Senhor; e é perfeita, porquanto reflete a própria perfeição de Deus.
A sequência do capítulo 12 de Romanos se assemelha aos capítulos 12 e 13 de 1 Coríntios, em que Paulo fala primeiramente dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo, que se relacionam com a virtude da fé (1 Co 12.4; 7-11). Depois, temos os dons ministeriais de Cristo, que dizem respeito à virtude da esperança (1 Co 12.5; 12-31), e, finalmente, temos, no capítulo 13 de 1 Coríntios, as realizações de Deus Pai, que se relacionam com a virtude do amor: Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor (1 Co 13.13).

Chamo a atenção do querido leitor para o que Paulo diz no final do capítulo 12 de 1 Coríntios: Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente (v. 31). A expressão mais excelente, que se refere às realizações de Deus, indica que os dons espirituais e ministeriais são, no mínimo, excelentes.
Abraão de Almeida
Pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. E-mail: abraaodealmeida7@gmail.com


