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25/09/2026
Foto: Divulgação / Wycliffe Associates
Por Viviane Ferreira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Antes de chegar às mãos de milhões de leitores, ao longo dos séculos, os originais da Bíblia Sagrada passaram pelas mãos de um número incontável de tradutores, os quais verteram milhares de palavras para centenas de idiomas e dialetos. Os textos do Antigo Testamento, escritos principalmente em hebraico (com trechos em aramaico), e os do Novo Testamento, em grego, atravessaram um longo caminho até poderem ser lidos em português. Com isto em mente, e pelo fato de hoje (30) ser o Dia Internacional da Tradução, a reportagem de Graça/Show da Fé buscou ouvir especialistas para entender de que maneira o trabalho dos tradutores ampliou o acesso às Escrituras e, ao mesmo tempo, como conseguiu preservar a mensagem bíblica para diferentes gerações.
Segundo o pastor e teólogo Luiz Sayão, um dos primeiros passos para verter a Palavra de Deus para outro idioma se deu quando judeus de Alexandria, no Egito, traduziram a Bíblia hebraica para o grego, por volta de 285 a.C.. “Depois, com a expansão do cristianismo, surgiram versões em latim, copta e outras línguas”, observa ele, acrescentando que a Reforma Protestante (1517) deu novo impulso a esse movimento na Europa. “Lembro que, a partir do século 16, muitas línguas já haviam recebido tradução da Escritura”, explica Sayão, informando que, no século 17, o pastor e escritor português João Ferreira de Almeida iniciou seu trabalho de tradução para língua portuguesa.

Foto: Arquivo pessoal
Linguista e hebraísta, Luiz Sayão esclarece que as línguas não ficam paradas no tempo: palavras caem em desuso e expressões que faziam sentido para um povo podem causar estranheza em outros. “Esta é uma das razões para a existência de diferentes versões da Bíblia. O português que falamos hoje não é o mesmo da época de João Ferreira de Almeida. Um texto escrito há 300 ou 400 anos é quase incompreensível para o leitor de hoje”, esclarece.
No Brasil, a circulação do Texto Sagrado ganhou força no século 19, mas apenas em 1917 o Brasil teve seu primeiro projeto nacional de tradução total da Bíblia, feito aqui, diretamente das línguas originais. Posteriormente, vieram outras versões que foram acompanhando as mudanças do português. “Há leitores que procuram uma linguagem mais tradicional, muitos priorizam clareza e compreensão e outros desejam uma tradução voltada ao estudo”, afirma o Pr. José Roberto Nascimento, diretor de Tradução e Publicações da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).

Foto: Divulgação / SBB – modificada por IA
Com o passar do tempo, mudaram também as ferramentas usadas para traduzir. Com o desenvolvimento tecnológico acelerado, programas e aplicativos permitem comparar textos, localizar palavras e conferir termos ao longo dos livros bíblicos. “Também a inteligência artificial (IA) auxilia em algumas dessas tarefas”, expõe José Nascimento, sublinhando que existe uma fronteira clara entre apoio e autoria, e, assim sendo, a responsabilidade pelo serviço é sempre do tradutor. “O trabalho de tradução bíblica continua sendo essencialmente humano e comunitário. A tecnologia ajuda a reduzir tarefas mecânicas e aumenta a precisão de determinadas verificações, mas a responsabilidade final sobre o texto continua sendo das pessoas envolvidas no projeto”, conclui.


