
ALGUMAS PÉROLAS DAS ESCRITURAS
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Marco histórico
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Por Lilia Barros
Segundo biblistas, a palavra empregada no Antigo Testamento para designar bênção é o termo hebraico berãkhâ, geralmente denotando a concessão de um bem material. É o que está escrito em Provérbios 10.22 (A bênção do SENHOR é que enriquece, e ele não acrescenta dores) e em Provérbios 28.20 (O homem fiel abundará em bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará sem castigo). Esses estudiosos afirmam que, quase sempre, o termo é contrastado com maldição, como registra Deuteronômio 11.26-28: Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando ouvirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não ouvirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes. Já no Novo Testamento, o termo grego (eulogia) denota tanto o bem espiritual transmitido pelo Evangelho – E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo (Rm 15.29) – como as bênçãos materiais em geral: Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Deus (Hb 6.7).

Foto: Arquivo Graça / Marcos AC

Em seu best-seller Como tomar posse da bênção (Graça Editorial), R. R. Soares esclarece que, nos tempos bíblicos, o povo era ensinado a viver da fé. Apesar de grande parte da humanidade daquela época ter pouquíssima educação secular, possuía bons mestres na Palavra que a orientava e levava a receber as bênçãos. Nos dias atuais, o oposto vem ocorrendo. Temos muitos profissionais peritos nas ciências e pouquíssimos que conhecem Deus de verdade e nos ensinam o caminho para o sucesso espiritual. Os grandes heróis da fé do passado não eram privilegiados nem tão especiais, a ponto de Deus escolhê-los e mostrar-lhes Sua bondade, revelando-lhes profundos mistérios. Aqueles nossos irmãos entenderam o caminho de Deus e trilharam a vida por intermédio dEle. Esse foi o motivo de terem conseguido realizar tantas façanhas. Haviam aprendido como as coisas no mundo espiritual funcionam e colocaram o poder de Deus, por meio das suas palavras, para realizar o que determinavam. Foi assim que bocas de leões foram fechadas; violência do fogo, extinguida; mortos, ressuscitados, e cegos e paralíticos, curados, escreve Soares, o qual lembra que, em toda a Bíblia, não é registrado um único caso de alguém que não tenha recebido resposta quando suplicou a bênção ao Senhor Jesus.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
Expressão da graça – O Pr. Adalberto Rodrigues de Carvalho, líder estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Amapá, faz coro com o Missionário. “A Escritura ensina a pedir com fé, confiar e se submeter à vontade de Deus. Isso é bíblico”, afirma, deixando claro que a maior dádiva não é receber apenas o que o Senhor dá, mas a Sua presença. “Nem toda pessoa bem-sucedida é abençoada. Há pessoas com riqueza, fama e conquistas, mas vazias, inquietas e distantes do Todo-Poderoso. Isso não é viver a plenitude da bênção”, explica o ministro. Por outro lado, acrescenta ele, nem todo “abençoado” aparenta ser próspero. “Servos fiéis podem enfrentar lutas, ter perdas e passar por dificuldades, e, ainda assim, ser profundamente abençoados”, sublinha Carvalho, o qual cita Jesus, que não teve riqueza ou status terreno, mas viveu a maior expressão do favor divino porque estava em total comunhão com o Pai. “A bênção não é recompensa por perfeição, mas expressão da graça do Criador. É Deus abrindo caminhos, guardando, sustentando e cuidando”, ressalta o pastor, acrescentando que não se trata de algo isolado que transforma situações. “É o próprio Senhor quem age por meio dela produzindo paz”, conclui Adalberto, que define bênção como a manifestação do favor, da presença e do cuidado do Altíssimo.

Segundo o Pr. João de Paula, da Igreja da Graça em Barra do Piraí (RJ), na região do Médio Paraíba, no centro-sul do estado, não há limitações para o Todo-Poderoso abençoar. “Ele pode atuar com poder nas três esferas: corpo, alma e espírito. Muitos sofrem de depressão e de doenças psicossomáticas [problemas físicos causados ou agravados por sofrimento emocional, como estresse e ansiedade], mas, para Deus, a solução é uma simples obra das Suas mãos. É só crer como ensina Hebreus 11.6 (Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam)”, pontua o líder. “Como o Missionário R. R. Soares costuma dizer: não sou milagroso nem milagreiro, é Jesus quem faz. Porém, muitos milagres podem ocorrer se o pregador for usado ou inspirado a levar a pessoa a ter fé no Senhor”, frisa.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
O ministro aproveitou a oportunidade da entrevista à Graça/Show da Fé para recomendar a leitura do livro Como tomar posse da bênção, citado no início desta reportagem. De acordo com ele, a obra cumpre fielmente o objetivo de levar os leitores a conhecerem o Messias e, assim, aprenderem a amá-Lo e servir-Lhe, de maneira a desfrutar de todas as bênçãos que Cristo providenciou a partir de Sua morte e ressurreição. “O Evangelho de Jesus nos faz viver algo novo diariamente”, explana o pastor, fazendo menção à passagem de Mateus 7.8: Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre. “Os que estão esfriando na fé, ao vivenciarem um milagre, passam a orar, jejuar e estar mais nos cultos. O impacto da bênção pode ser um divisor de águas na caminhada”, informa, ressaltando que é necessário determinar a saída do mal em Nome de Jesus e orar em favor da necessidade de cada pessoa (trabalho, cura, libertação). “Não mandamos em Deus nem determinamos nada a Ele. Como filhos e servos, determinamos a saída dos males que afligem a humanidade”, explica de Paula.

Bênção e edificação – Servos do Senhor, dizem teólogos e pastores, podem ser usados também para abençoar pessoas nas mais diversas situações. No caso do Pr.Marcos Paulo da Silva Nunes, da IIGD Cancela Preta, em Padre Miguel, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), sua vida mudou a partir de uma ação milagrosa a distância. “Tinha um sangramento nasal constante que fora diagnosticado como um mal permanente. Porém, fui curado ao receber o ensinamento da palavra de cura por intermédio do Missionário R. R. Soares, durante um de seus programas na televisão”, testemunha o ministro, que, após ser abençoado, converteu-se ao Evangelho e, posteriormente, recebeu o chamado para abraçar o ministério pastoral. “O Senhor me transformou em um mensageiro das Suas bênçãos pela pregação da Palavra”, relata.

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Segundo ele, as graças divinas podem chegar em forma de cura, perdão, salvação e outros milagres. “A bênção na vida do cristão tem o propósito de fazer novos embaixadores de Jesus e, sobretudo, Seus imitadores”, afirma, esclarecendo que o Pai pode capacitar Seus ministros para proferir bênção e edificação em nome dEle, conforme o apóstolo Paulo ensina em Efésios 4.11,12: E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo. “Curado, o cego Bartimeu seguiu Jesus no caminho (Mc 10.46-52), não andava mais à margem. A mulher samaritana foi confrontada e perdoada de seus pecados e levou uma cidade a ouvir o Mestre por dois dias (Jo 4.1-42)”, destaca.

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Para exemplificar quão poderosos são os estatutos do Criador, o Pr. Marcos Nunes cita a promessa de Deus a Abraão, registrada em Gênesis 12.2 (E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção) e devidamente cumprida (Rm 4). Ele sublinha também o que ocorreu na vida de Jacó, o qual, após ter um encontro com o Todo-Poderoso, lutou com o anjo e teve a sua trajetória transformada (Gn 32.22-32; Gn 35.10,11). “Sua identidade mudou. Ele recebeu um novo nome, Israel”, recorda o pastor, acrescentando que, ainda que o Senhor seja onisciente – e, portanto, conhecedor de todas as necessidades de Seus filhos – é necessário levar ao conhecimento dEle as petições e bênçãos que se busca, conforme ensinou Jesus em Mateus 6.6: Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.

Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA
Membro da Igreja Batista Memorial de Interlagos, no bairro Jardim Taquaral, na zona sul de São Paulo (SP), o escritor Luis Antonio Moreno concorda com o Pr. Marcos Nunes. Citando Tiago 1.17, ele assevera que a bênção do Senhor sobre os Seus filhos é fruto de Sua boa vontade e de Sua misericórdia: Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação. Moreno lamenta, entretanto, que um dos maiores problemas atuais seja a inversão de valores entre aqueles que procuram apenas as bênçãos, deixando de lado o Abençoador e Seu Reino. “Alguém falou que, atualmente, as ‘vacas sagradas’ da idolatria são as bênçãos, pois as pessoas entram no templo só para buscá-las”, alerta. Não sem motivo, o Pr. Josué Pereira, da Assembleia de Deus Ministério Internacional Emmanuel, no bairro Sítio dos Gansos, em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense, aponta para a necessidade de os crentes resgatarem o verdadeiro sentido de bênção: “É uma manifestação do amor do Criador. É o favor de Deus que tem o poder de deixar as pessoas cheias de vida”, conclui.


