Resgatado do vício, o norte-americano Melvin Ernest Trotter dedicou a vida a anunciar o Evangelho aos marginalizados

23/06/2026

Inovação tecnológica

23/06/2026

Resgatado do vício, o norte-americano Melvin Ernest Trotter dedicou a vida a anunciar o Evangelho aos marginalizados

23/06/2026

Inovação tecnológica

23/06/2026

R.: Como tenho respondido nas edições anteriores, o dispensacionalismo é um sistema de interpretação da Bíblia; portanto, uma visão humana que tenta organizar as ações de Deus ao longo da História. Como tal, é falho e incompleto, assim como todos os outros sistemas, sem deixar de ser muito útil. Ele tem esse nome porque cada etapa da revelação divina registrada nas Escrituras é uma dispensação, termo teológico pautado em Efésios 1.10 para se referir a um período específico do agir divino no mundo. A Dispensação da Lei é, então, o período que se inicia logo após a dos Patriarcas e termina com o Advento, o nascimento do Senhor Jesus, que dá início à Dispensação da Graça (Jo 1.17). Trata-se do período em que Israel se torna oficialmente povo de Deus, no episódio do Sinai, recebendo do Senhor sua “Constituição”, a Lei mosaica. Essa dispensação cobre quase todo o Antigo Testamento e é fundamental para aprendermos acerca da vontade de Deus, devidamente revelada na Lei, e de como ninguém consegue cumpri-la de modo total, tornando necessário o sacrifício de um inocente para, com seu sangue, cobrir nosso pecado. A Lei, além de revelar o caráter de Deus (que deveria ser nosso também), indica o que devemos buscar para nossa vida, além de estabelecer um sistema de sacrifícios que regulamenta a relação do homem pecador com o Deus santo. Esse regime sacrificial aponta diretamente para o sacrifício definitivo que Jesus realizou no Calvário. Entre muitos outros textos bíblicos, o livro de Hebreus demonstra isso de maneira absolutamente clara.

P. B., sem identificação da cidade

R.: Jacó Armínio foi um dos líderes cristãos que promoveram o movimento conhecido como Reforma Protestante do século 16 na Holanda. Ele se opôs às ideias do calvinismo, sobretudo o radical, que propunha a chamada dupla predestinação, segundo a qual, Deus teria, antes de criar o Universo, predestinado todos os seres humanos para o Céu ou para o Inferno, de modo que isso não dependesse da decisão de cada pessoa. Ora, tal ensinamento não tem base nas Escrituras, como venho repetindo em diversas edições desta coluna. A Bíblia Sagrada é clara ao afirmar que cabe a cada indivíduo decidir crer ou não no Filho de Deus, a fim de ser salvo (Mc 16.15,16; Jo 3.16-21,36; 20.30,31; At 16.31). A Palavra ainda afirma categoricamente que o desejo de Deus é de que todo ser humano se arrependa de seus pecados, creia em Seu Filho e, assim, seja salvo (1 Tm 2.3,4; 2 Pe 3.9). A Bíblia também ensina que Jesus morreu em favor de todos, e não apenas dos eleitos, como erradamente afirma o calvinismo (1 Tm 2.5,6; 1 Jo 2.1,2). Aliás, é bom lembrar que os salvos foram eleitos por Deus em consonância com a Sua presciência. Isso significa que o Senhor, na eternidade, previu quem creria e perseveraria até o fim no Evangelho. O Pai os predestinou não somente para a salvação, mas também para que fossem iguais a Seu Filho (Mt 24.13; Rm 8.29,30; 1 Pe 1.2). Isso é extremamente importante, pois, ao contrário do que muitos pensam, não somos predestinados apenas para ir para o Céu após a morte, mas também para algo muito mais relevante nesta vida. A predestinação divina é para que quem crê em Cristo, além de salvo, seja capaz de fazer as mesmas obras realizadas por Ele quando esteve aqui no mundo (Jo 14.12).


Foto: Arquivo Graça / Marcos AC

R.: Esses termos não se encontram no Texto Sagrado e foram criados pelos teólogos entre os séculos 4 e 5 da nossa era, para se referirem à natureza pessoal e sem paralelo de Cristo. Ambas são variantes da palavra grega hypóstasis, traduzida como substância, mas que se aplica à essência do ser, da pessoa, sua natureza subjacente. Nesse caso, Jesus era humano ou divino em Sua essência? Como muitas vezes acontece, em vez de simplesmente aceitar pela fé os ensinamentos bíblicos, alguns que se consideram eruditos nos assuntos do Alto tentam explicar racionalmente o inexplicável (Rm 11.33-36). Naquela época, a questão era: como explicar que Deus, o qual é, em essência, espírito, eterno, infinito, santo e perfeito, tenha Se tornado homem, tendo um corpo material, mortal, limitado e impuro? Precisamos nos lembrar de que a cultura dominante naquele tempo era a grega, com seu dualismo absoluto: tudo o que é espiritual é bom, eterno e perfeito. Por outro lado, tudo o que for material é necessariamente mau, corruptível, finito e impuro. Diante disso, como entender, classificar e definir a natureza de Cristo? Ele era divino, mas aparentava ser humano? Era humano só no corpo e divino no espírito? Ou, pior, um humano comum, cuja alma foi possuída pela divindade, à semelhança do que fazem os demônios? Todas essas alternativas, além de várias outras, foram empregadas como explicação naquele momento da História. Assim, as palavras gregas da pergunta fazem parte das respostas apresentadas pelos considerados sábios. Em suma, apontam para o fato de que Jesus é, ao mesmo tempo e de igual forma, divino e humano, tendo as duas naturezas, as quais são indivisíveis e inseparáveis. Ele é absolutamente único; não há ninguém nem nada semelhante no Céu ou na Terra. Em outras palavras, o Verbo divino, a Segunda Pessoa da Trindade, o Deus genuíno e único que criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, não Se estribou em Sua condição divina, mas, por amor absoluto, encarnou-Se, tornando-Se humano para pagar a conta dos nossos pecados, eliminando, assim, toda nossa culpa diante do Deus santo (Is 53.4-6; Fp 2.5-11; Cl 2.15). Talvez alguém diga: “Ora, mas não é exatamente isso que João 1.1-14 e outras passagens bíblicas dizem claramente?”. É. Bastaria deixar de lado as filosofias humanas e crer na simplicidade da Palavra de Deus (1 Tm 1.6,7).

L. B. N., sem identificação da cidade

R.: Sim e não. O preparacionismo técnico, digamos assim, tem sua base nos ensinos de Cristo que exortam à vigilância e preparação para os eventos do fim dos tempos (Mt 24 e 25). Os seguidores do Cordeiro precisam estar atentos, equipados e preparados para enfrentar as circunstâncias desafiadoras que os inimigos de Cristo promoverão em nível mundial nos tempos que antecederão o arrebatamento da Igreja. O livro do Apocalipse é quase totalmente dedicado a isso. A perseguição que se estendeu por quase 400 anos será reativada nesse tempo, como alertou o Mestre. O mundo secular aprendeu com os primeiros mártires cristãos e, usando o bom senso, passou a ensinar a necessidade de, em tempos de bonança e paz, estocar alimentos não perecíveis, economizar os recursos naturais, elaborar planos de evacuação e/ou enfretamento em emergências, treinar frequentemente as pessoas, principalmente as crianças, para tais situações, além de outras providências semelhantes. É esse conjunto de preocupações e atitudes que caracteriza o preparacionismo técnico ou secular. Agora, o que alguns denominam preparacionismo cristão refere-se a uma prática nascida entre os puritanos ingleses, especialmente os que colonizaram a América do Norte no século 17, que tinha a ver com atitudes que os não salvos deveriam tomar a fim de se converter. O movimento puritano aconteceu em um período muito importante da história da Igreja e não é possível, aqui, descrevê-lo adequadamente. Em relação ao preparacionismo, alguns puritanos ensinavam que, para a salvação efetivar-se, a pessoa interessada precisava se preparar − abandonar práticas proibidas pela Bíblia, participar de cultos e reuniões de oração, meditar na Palavra de Deus, entre outros atos semelhantes. Mas tudo isso sem que tenha havido arrependimento
genuíno. A intenção era boa, sem dúvida, mas visava, em suma, tentar atrair a graça divina por meio de obras, algo condenado pela Palavra de Deus (Ef 2.1-10). A pregação do Evangelho completo é suficiente para gerar, no coração humano, arrependimento e fé no Senhor Jesus. Em outras palavras, o novo nascimento (Jo 3.1-21).


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *