Quando o silêncio fala
28/04/2026
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Tecnologia de IA a serviço dos bebês

Inteligência artificial ajuda a identificar dores em recém-nascidos
Foto: GarlicDesign / Gerada com IA / Adobe Stock

Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé


A inteligência artificial (IA) tem avançado em diferentes áreas da Medicina. Uma das aplicações mais sensíveis está no cuidado com recém-nascidos internados em UTIs neonatais. Pesquisadores do Centro Universitário FEI e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) desenvolveram uma ferramenta capaz de identificar o nível de dor em bebês a partir da leitura de expressões faciais. Segundo eles, o intuito é tornar a avaliação mais objetiva e apoiar decisões clínicas mais seguras.

A Dra. Monique Nunes pontua que a tecnologia contribui para decisões mais precisas, sem, no entanto, substituir o olhar humano
Foto: Arquivo pessoal

De acordo com os cientistas, a proposta surge de um desafio inerente à prática do cuidado: como os bebês não conseguem expressar verbalmente o que sentem, a avaliação da dor ainda depende do olhar e da interpretação dos profissionais de saúde e familiares. Em UTIs neonatais, essa questão é especialmente sensível, já que um bebê pode passar por vários procedimentos dolorosos ao longo do dia.

Para a Dra. Monique Nunes, ultrassonografista geral e obstétrica, a presença da tecnologia nos cuidados médicos é uma realidade consolidada. “Na Medicina, a IA faz parte do nosso dia a dia em todos os aspectos, não só em UTI, mas em exames de imagem, diagnósticos e cuidado geral”, afirma a médica, a qual esclarece que um dos principais benefícios está na redução da interferência emocional. “Nós, seres humanos, tendemos a ser levados pelas emoções. A IA diminui essa influência e deixa as questões médicas mais técnicas”, afirma a especialista, indicando que “usar uma ferramenta de identificação de dor com tecnologia reduz o impacto do fator emocional humano na tomada de decisão e na condução de pacientes” e, portanto, afeta diretamente a qualidade do atendimento.

A especialista ressalta que a precisão com a utilização desse tipo de ferramenta pode evitar tanto o uso excessivo de remédios quanto a falta de intervenções medicamentosas. “Isso influencia demais porque diminui a imperícia, ou seja, a agressão não intencional seja por medicação além do necessário ou por não medicar quando deveria”, aponta Nunes, que já atuou na área da pediatria. Ela entende que, apesar desses avanços, é preciso cuidar para que a tecnologia caminhe sempre sob supervisão humana. “Toda IA hoje tem um comando humano. O problema ético é quando ela recebe autonomia para tomar decisões sozinha”, observa a médica, membro da sede estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) na Bahia, em Salvador.

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