
Internet mais segura para crianças e adolescentes
17/03/2026
Foto: carlesiturbe / Adobe Stock
Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
Uma mudança silenciosa no comportamento das novas gerações tem chamado a atenção de pesquisadores de várias partes do mundo. Estudos internacionais indicam que jovens da geração Z – de nascidos entre 1995 e 2010 – podem apresentar desempenho inferior em testes de QI (Quociente de Inteligência) quando comparados aos pais. A tendência pode representar a reversão do efeito Flynn, que apontava o aumento da inteligência ao longo do século 20.
Esse fenômeno, observado pelo pesquisador e filósofo neozelandês James Flynn, mostrava um crescimento médio de dois a três pontos de QI por década, impulsionado por melhorias em educação, alimentação e estímulos dentro de casa. No entanto, pesquisas mais recentes passaram a identificar estagnação e até queda nesses índices desde a década de 1990.

Foto: Arte de IA sobre foto de Arquivo pessoal
Para os especialistas, essa mudança não tem uma única causa, mas reflete transformações no estilo de vida atual. Segundo eles, o uso excessivo de telas, por exemplo, é um dos principais fatores. Celulares, redes sociais e vídeos curtos passaram a fazer parte da rotina desde cedo, mudando a forma como crianças e jovens aprendem e se concentram.
A neurocientista e psicóloga Renata Monteiro explica que esse novo ambiente tem impacto direto no cérebro. “A exposição prolongada a ambientes digitais altamente estimulantes tende a favorecer um padrão de funcionamento cerebral mais reativo e menos sustentado”, analisa a estudiosa, acrescentando que o cérebro se acostuma com estímulos rápidos e passa a ter mais dificuldade para manter a atenção por muito tempo.
Outro efeito preocupante apontado pela neurocientista é a dependência da tecnologia para armazenar informações. “A aprendizagem se torna mais superficial, com menor consolidação e integração do conhecimento, ou seja, a pessoa até acessa muitas informações, mas tem dificuldade de guardar e se aprofundar no que aprende”, ressalta ela, especializada em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC).
Para Monteiro, a leitura da Palavra de Deus e a vida em comunhão também fazem diferença. “O resgate da disciplina cotidiana, do hábito de ler livros – incluindo a Bíblia – e da convivência familiar e comunitária desempenham um papel essencial na construção de indivíduos mais atentos, críticos e emocionalmente equilibrados”, assevera a neurocientista, que também é pastora da IIGD Lote XV, em Belford Roxo (RJ), na Baixada Fluminense.


