
A infância pede socorro
13/02/2026
Por Viviane Castanheira, especial para edição digital de Graça/Show da Fé
O eixo mundial do cristianismo mudou de lugar. Segundo dados do Pew Research Center, a África superou a Europa e passou a reunir a maior população cristã do planeta: entre 700 milhões e 730 milhões de seguidores. De acordo com estudos do instituto de pesquisas Pew, considerando os dados compilados no período de 2010 a 2020, a África Subsaariana ultrapassou oficialmente o continente europeu em número de seguidores de Cristo.
Para os pesquisadores, o crescimento é consistente – nas 54 nações africanas – e proporcionalmente o mais acelerado da atualidade. Em 2020, pelo menos 49% da população africana se declarava cristã, mas há indicativos de que esse percentual continua em expansão. O avanço, aliás, é percebido em particular nas igrejas evangélicas, as quais vêm crescendo em decorrência da intensa evangelização, das altas taxas de natalidade e de um ambiente social receptivo à fé em Jesus.

Na opinião do missionário brasileiro Luis Fernando Basso, ligado à Missão para o Interior da África (MIAF) e atuante em Madagascar desde 2012, os números impressionam, mas também revelam desafios. “Realmente, o Evangelho está se espalhando por toda a África”, afirma Basso, que vive naquele país insular do Oceano Índico, situado ao largo da costa sudeste da África, com a esposa, Janaíne, e os filhos, Benício, Timóteo e Tito.
O missionário alerta, entretanto, sobre a necessidade da busca do amadurecimento espiritual. “Há um crescente sincretismo pela falta de entendimento da Palavra, da compreensão das Escrituras, de um discipulado adequado”, observa ele, acrescentando que muitas congregações ainda aceitam a mistura dos ensinamentos cristãos com práticas pagãs tradicionais. “Se a pessoa vai à igreja, ora por uma doença e não é curada, a tendência é procurar o feiticeiro”, lamenta Basso, reforçando a ideia de que o momento exige investimento em formação bíblica sólida. “Precisamos treinar pastores para que eles sejam capacitados para ensinar a Igreja e, assim, fazer o Evangelho realmente transformar a sociedade.”

Esse cenário também se reflete na atuação de igrejas brasileiras no continente africano. A Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), por exemplo, mantém quatro templos em funcionamento na África do Sul. O Pr. Rodrigo Santos, responsável pelo trabalho da IIGD naquele país, resume o que tem presenciado no dia a dia. “Toda semana, sou procurado por pessoas que desejam ouvir as Boas-Novas do Evangelho. Muitas delas permanecem conosco. É bonito ver a obra de Deus na vida das pessoas”, declarou o pastor, em entrevista ao Portal Ongrace em julho de 2025.


