tinham programa e outros trabalhos, eu, que já fazia a abertura para os dois nas apresentações, comecei a pintar o rosto também. Logo na primeira vez que cobri a ausência de um deles, em 1985, a diretora me elogiou à beça.

Sua história como palhaço começava ali?

Sim, mas eu ainda não estava certo se era aquilo que queria fazer. Um dia, voltando de uma chácara que tínhamos no interior de São Paulo, conversava com minha esposa no carro. Dizia que as escolas queriam algo novo nas performances. Disse, então: “Estou com dificuldades de encontrar alguém e, além disso, teria de pagá-lo. O que acha de eu mesmo pintar o meu rosto?” Maria Helena concordou de imediato. Em pouco tempo, começamos a pensar em um nome, e surgiu o Zig-Zag. Pedi a uma costureira que fizesse a roupa, produzi um álbum profissional e comecei a ligar para as escolas. Como me conheciam, ficou tudo mais fácil. Passei a fazer um monte de apresentações.

De que maneira ocorreu o seu encontro com Jesus?

No dia 20 de maio de 1988, cheguei à minha loja e descobri que haviam entrado lá e roubado todo o meu equipamento, que era muito caro. Passei aquele dia arrasado. Voltei abatido para casa, e minha esposa sugeriu que procurássemos um feiticeiro. Acabei me envolvendo com aquilo. Contudo, chegou um momento em que eu estava bem financeiramente, só que minha casa se transformara em um inferno. Os feiticeiros diziam que nosso casamento não tinha mais solução. Certa madrugada, porém, assisti ao programa da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD). Fiquei curioso e fui sozinho a um culto.

Quando o senhor foi à IIGD pela primeira vez?

Era o ano de 1991, e não havia conjunto musical na Igreja da Graça na Praça da Sé [no Centro de São Paulo (SP)]. O pastor abriu a reunião batendo palmas e cantando: No momento em que aceitei ao meu Jesus, minha vida logo se modificou... [Zig Zag cantarola a canção Viverei, viverás, do grupo Nova Dimensão]. Contei à minha mulher, e ela passou a me acompanhar nas ministrações. Levei as meninas [suas duas filhas] – eram bem jovenzinhas –, e elas logo se converteram. Foi uma das coisas mais legais que fiz [o entrevistado se emociona ao lembrar]. Um tempo depois, Maria Helena também se converteu a Cristo.

Como começou o programa Zig-Zag Show na RIT?

Estava na Igreja, e Deus me mostrava um programa de auditório. Não achava possível. Até tinha convites para TV, no entanto não de auditório. Nessa

época, não existia a Rede Internacional de Televisão (RIT). Então, o Missionário R. R. Soares adquiriu a TV Dourados, no Mato Grosso do Sul, e me convidou para fazer o programa, que começou em 2002, no for- mato que temos até hoje, de auditório. No início, havia o quadro Historinhas da Bíblia, o qual era apresentado por outro palhaço. Foi quando criei a Zazá, que “caiu como uma luva” para minha esposa. A Zazá contava historinhas bíblicas para a criançada. Ela nunca tinha trabalhado com o rosto pintado, mas víamos como conseguia passar a imagem de criança. As pessoas até pensavam que ela era uma menina mesmo. Maria Helena era uma excelente pregadora – é uma das boas lembranças que tenho. Deus sabe de todas as coisas.

O senhor passou por algumas experiências difíceis recentemente, como o falecimento de sua esposa. Também havia perdido uma filha e uma neta, em 1994, em um acidente de automóvel. O que mantém a fé do pregador Alvarindo e o sorriso do palhaço Zig-Zag?

Para responder, é preciso lembrar o que está escrito na Bíblia. Em nenhum momento o Senhor nos disse que viveríamos em um mar de rosas aqui na Terra. Pelo contrário, alertou que teríamos aflições, contudo deveríamos ter bom ânimo [João 16.33]. Outro dia, pregava sobre Jesus no barco, no momento em que Ele acalmou a tempestade [Lucas 8.24]. E, às vezes, você prega para si próprio. Passamos por temporais, por adversidades e devemos estar preparados para tudo isso. Tive de aprender a superar esses infortúnios, no entanto sei que o Mestre está no barco e me dá forças para vencer os obstáculos. Então, digo que as pessoas não devem procurar a igreja apenas atrás de bênçãos. Elas são consequência da fé, do conhecimento que você vai adquirindo. É necessário se alicerçar na Palavra e desejar a maior bênção de todas: a salvação eterna